terça-feira, 24 de maio de 2011

Histórias da Casa Branca: O dilema dos republicanos


Mitt Romney, Michelle Bachmann e Tim Pawlenty: os antigos governadores podem protagonizar a luta final pela nomeação republicana; a congressista do Minnesota pode aproveitar as quedas de Donald Trump, Sarah Palin e Mike Huckabee para agarrar o apoio da ala dura


O dilema dos republicanos

Por Germano Almeida


A eliminação de Osama Bin Laden foi interpretada por muitos como o passaporte de Barack Obama para a reeleição.

Se é verdade que o sucesso da operação que levou à morte do mentor do 11 de Setembro ficará como uma das principais marcas do primeiro mandato do 44.º Presidente dos Estados Unidos da América, a resposta certa sobre as verdadeiras hipóteses de Obama assegurar a reeleição estará muito mais no que vier a acontecer no campo republicano.

A corrida às presidenciais norte-americanas é muito longa e imprevisível. A um ano e meio das eleições gerais, achar que a subida de popularidade obtida por Obama no pós-operação que levou à morte de Bin Laden será o factor decisivo é, no mínimo, lançar os dados fora do tempo.

Até lá, muito irá acontecer. E a componente económica, que continua a ter contornos muito pouco previsíveis, deve pesar mais.

Trunfo mais consistente para se identificar uma clara tendência rumo à reeleição de Obama tem a ver com a falta de qualidade política das hipóteses que têm aparecido no campo opositor.

Esqueçam Trump e Sarah
Até há algumas semanas, os conservadores andaram entretidos com dois possíveis candidatos que tinham tudo para agitar os media, mas que seriam a receita quase certa para um rotundo fracasso do Partido Republicano, nas aspirações do GOP de remover Obama da Casa Branca já em 2012: Donald Trump e Sarah Palin.

O multimilionário levou ao limite a sua bizarra cruzada em relação ao local de nascimento do Presidente. De pouco valeu o facto de Obama já ter garantido, na eleição de 2008, que as suspeitas de que não seria born in America eram disparatadas.

Dando uma inusitada força mediática ao estranho movimento dos ‘birthers’ (um grupo que se organizou nos últimos dois anos, com o único intento de tentar provar algo que, simplesmente, não corresponde à realidade), Donald Trump tanto insistiu nessa mentira que levou Obama a mostrar o óbvio: de forma discreta, mas clara, o Presidente divulgou o seu certificado de nascimento, que sem margem para qualquer dúvida refere que Barack nasceu em Honolulu, no Hawai – o 50.º estado dos EUA.

Num daqueles passes de mágica em que Obama é mestre, a disparatada polémica do seu local de nascimento acabou por proporcionar-lhe um momento de clara vantagem sobre Trump, quando, em pleno jantar dos correspondentes da Casa Branca – um dos momentos-chave do ano político na América – o Presidente fez uma piada sobre o facto, mostrando um vídeo que mostrava, em desenhos animados, paisagens africanas: «Este é o meu vídeo de nascimento», lançou Obama, divertido. «E caso a Fox News não tenha percebido, isto era uma piada…»

Barack não se ficou por aqui e, com Donald Trump presente na sala, de ar indisfarçavelmente constrangido, mostrou outra imagem: «Este será o aspecto da Casa Branca, se Donald Trump for eleito». No vídeo aparece uma montagem da casa oficial do Presidente dos EUA, com um letreiro em tons berrantes e um estilo de gosto duvidoso. Foi a gargalhada na plateia – e terá sido o momento da decisão de Donald Trump. Dias depois, o multimilionário anunciou: «Não vou avançar com uma candidatura à Presidência».

Sarah Palin, a outra peça out of the box do campo republicano, ainda não se decidiu – mas os sinais começam a apontar para que também não avance.

A ex-governadora do Alasca, escolhida por John McCain para vice do ticket presidencial republicano em 2008, conseguiu mobilizar as hostes conservadoras até Novembro do ano passado – altura em que o Tea Party deu um empurrão decisivo à vitória dos republicanos nas eleições intercalares para o Congresso.

Mas, nos últimos meses, os dados da equação mudaram muito. A falta de preparação política de Sarah tem vindo ao de cima – e as suas dificuldades em disputar o centro político com Obama estão a ser espelhadas nas sondagens.

Com números desanimadores nas pesquisas, o entusiasmo em redor de Palin está a arrefecer – e pode comprometer as aspirações da hockey mom do Alasca de vir a avançar com uma candidatura presidencial para 2012.

Outro nome forte da ala dura dos republicanos que já garantiu que não vai a jogo é Mike Huckabee. O antigo pastor baptista, ex-governador do Arkansas, surpreendeu tudo e todos ao anunciar, recentemente, que não será candidato – apesar de as sondagens o terem posto, até há poucas semanas, como um dos três nomes mais bem colocados para obter a nomeação republicana.

Mike, que nas primárias republicanas de 2008 obteve fortes vitórias nos estados do Sul, deixa assim em aberto o campo conservador para outros dois candidatos que, tudo indica, irão disputar o eleitorado mais à Direita: Newt Gingrich, 67 anos (antigo speaker do Congresso, líder da Revolução Republicana dos anos 90) e Michelle Bachmann, 56 anos, congressista do Minnesota e candidata preferida dos movimentos ligados ao Tea Party.

Romney, Pawlenty, Christie, Huntsman ou uma surpresa?
Sem Trump, Huckabee e, provavelmente, Palin na jogada – e com Gingrich e Michelle Bachmann já a posicionarem-se como prováveis representantes da ala dura – a corrida republicana começa, digamos, a normalizar-se, depois de mais de um ano marcado por um estranho impasse.

O fenómeno do Tea Party, extremamente mobilizador mas pouco consistente -- e mesmo nada abrangente para quem pretende disputar uma eleição presidencial --, parecia ofuscar os candidatos do Partido Republicano que mais condições poderiam reunir numa disputa presidencial com Barack Obama.

Depois do ruído e do entusiasmo fácil pós-midterms (dois factores que talvez expliquem um certo atraso no arranque da corrida pela nomeação republicana), os principais líderes republicanos começam, agora, a ter o seu espaço.

E as sondagens, finalmente, vão mostrando uma tendência mais ligada ao que poderá acontecer depois do Verão, altura em que as coisas deverão começar a clarificar-se no campo republicano.

Dos candidatos que já anunciaram a intenção de avançar, há dois nomes com claras hipóteses de lutar pela nomeação: Mitt Romney, 64 anos, antigo governador do Massachussets e terceiro classificado nas primárias de 2008, e Tim Pawlenty, 50 anos, ex-governador do Minnesota e que chegou a estar na shortlist de John McCain para a vice-presidência republicana, em 2008.

Embora ainda não tenham confirmado as respectivas candidaturas, apontaria outros dois nomes que julgo que poderem vir a disputar a nomeação: o antigo governador do Utah, e embaixador dos EUA na China até ao passado dia 30 de Abril, Jon Huntsman, 51 anos, e o governador da Nova Jérsia, Chris Christie, 62 anos.

Huntsman poderia ter tudo para ser o candidato ideal contra Obama: é um republicano moderado, com capacidade para penetrar no eleitorado democrata em caso de dificuldades económicas em 2012, e dispõe de bons apoios na máquina republicana, sobretudo entre os governadores de estados.

Mas tem um grande problema: está conotado com a Administração Obama, pelo simples facto de a ter servido até há poucas semanas, como embaixador norte-americano em Pequim.

Não tão moderado, mas claramente enquadrável na zona mais clássica do Partido Republicano, Mitch Daniels poderia ser um candidato forte: é do Indiana, um estado importante em eleições presidenciais, e poderia aproveitar a não candidatura de Haley Barbour para vir a ganhar apoios de peso junto do mainstream republicano. Mas Mitch anunciou, esta semana, que não vai avançar – talvez por força das sondagens que lhe dão números muito escassos.

Já na corrida, mas sem quaisquer hipóteses de nomeação, estão Herman Cain, Gary Johnson, Ron Paul e Rick Santorum.

No meio de algumas certezas e, sobretudo, muitas dúvidas do campo republicano, há um dado que se mantém coerente, na linha de rumo para se perceber a disputa presidencial norte-americana de 2012: Barack Obama continua à frente em todas as sondagens, liderando todos os cenários.

Mas é preciso saber esperar: é que a corrida, oficialmente, ainda nem sequer começou…

terça-feira, 17 de maio de 2011

Observatório 2012 (XIV): Donald Trump, afinal, não avança para a Casa Branca

Agitou, de forma um pouco patética, as hostes republicanas nas últimas semanas, mas depois da apresentação do «birth certificate» de Obama, e sobretudo da forma como o Presidente soube brincar com a situação no jantar dos correspondentes da Casa Branca, com Donald Trump presente na sala, o multimilionário veio deixar a garantia: não vai avançar com uma candidatura.



O campo republicano começa, a pouco e pouco, a ficar clarificado... e normalizado.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Observatório 2012 (XIII): Newt Gingrich vai avançar


Dado importante para percebermos como irá evoluir a dinâmica da corrida à nomeação republicana: Newt Gingrich, 67 anos, herói «Revolução Conservadora» de 1994, vai mesmo avançar com uma candidatura presidencial para 2012.

A formalização deverá acontecer esta quarta-feira. Do lado republicano, as coisas continuam ainda muito baralhadas
. Quem faz mais barulho (Donald Trump, Sarah Palin, Michelle Bachmann) não deverá ter grandes hipóteses na hora da verdade.

Enquanto isso, os nomes mais credíveis (Tim Pawlenty, Mitt Romney, Mitch Daniels, Jon Huntsman) aguardam por uma fase posterior para lançarem os seus trunfos.

Com a entrada de Gingrich neste jogo, o campo mais conservador parece ter já um peso pesado na corrida. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.


«Former House Speaker Newt Gingrich is set to announce the official launch of his presidential campaign on Wednesday, according to spokesman Rick Tyler.

Gingrich will make his announcement via Twitter and Facebook in another indicator of how vital social media platforms will be in the 2012 campaign. Former Massachusetts Gov. Mitt Romney and former Minnesota Gov. Tim Pawlenty -- two of the more prominent candidates for the GOP nomination -- both launched their White House exploratory committees through online videos that their campaigns-in-waiting promoted heavily on Twitter and Facebook.

The former Georgia congressman is slated to speak at the National Hispanic Prayer Breakfast in Washington, D.C., on Wednesday morning before sitting down with Fox News' Sean Hannity that night for his first interview as an official candidate.

Gingrich will travel to Georgia on Friday, according to Tyler, where he will attend the state Republican Party Convention in Macon. The former speaker, who has spent over a decade living in Northern Virginia, is making an overt effort to highlight his ties to Georgia and will base his presidential campaign in the Southern state.

As he begins his campaign in earnest, Gingrich enjoys a reputation as a prolific generator of ideas with proven fundraising abilities and a robust political organization. His high name recognition has helped him perform relatively well in early national polls, but his tumultuous personal life and penchant for generating controversy are two traits he will have to work to overcome to prove himself a viable candidate for the GOP nomination.»

in RealClearPolitics.com

domingo, 8 de maio de 2011

Taxa de Aprovação de Obama sobe após a morte de Bin Laden


Estes valores da sondagem Washington Post/Pew Research Center mostram os números mais positivos para o Presidente dos últimos dois anos.

O efeito era previsível, depois da «Operação Geronimo». Falta saber quanto tempo irá durar...

BARACK OBAMA
Aprovação: 56 por cento

Reprovação: 38 por cento

terça-feira, 3 de maio de 2011

Obama, sempre Obama: realismo e sobriedade na hora da vitória


«Os EUA não estão em guerra contra o Islão e nunca estarão em guerra contra o Islão. O fim de Bin Laden deve ser saudado por todos aqueles que acreditam na paz e na dignidade»

Barack Obama, Presidente dos EUA, no discurso de anúncio da morte de Bin Laden

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Histórias da Casa Branca: O dia da morte de Osama Bin Laden


Barack Obama anunciou, em Washington, a morte de Osama Bin Laden, na sequência de uma operação muito bem sucedida, que durou meses, ordenada pelo Presidente, dirigida pela CIA e executada por forças especiais norte-americanas



O dia da morte
de Osama Bin Laden

Por Germano Almeida


Foi preciso esperar quase uma década, mas o inimigo público número um que a América apontou a 11 de Setembro de 2001 foi mesmo apanhado e morto.

Naquele dia maldito, que incrivelmente já aconteceu há quase uma década, o então Presidente George W. Bush prometera capturar o novo satanás, nem que fosse à moda do Velho Oeste: ‘Dead or Alive’.

Os norte-americanos puseram-lhe a cabeça a prémio e até fixaram um preço para a captura de Bin Laden: 25 milhões de dólares.

Dez anos depois, com duas aventuras militares americanas pelo meio (o desastre do Iraque e a ambiguidade do Afeganistão), o sucessor de Bush na Casa Branca tem um nome estranhamente parecido com o inimigo agora assassinado.

Parecia estar escrito nas estrelas: coube mesmo a Obama, ele próprio um produto do pós-ameaça Bin Laden, pela antítese que representa ao terror lançado por Osama, a tarefa de anunciar «à América e ao Mundo» a captura e morte do rosto do terror lançado sobre os EUA a 11 de Setembro de 2001 – e, a partir desse dia, sobre vários pontos do globo, nos anos que se seguiriam.

Foi o culminar de uma operação quase perfeita: numa enorme vitória para a Administração Obama (e sobretudo para a forma como Barack entendeu conduzir a sua interpretação do que deve ser um «commander in chief»), Osama Bin Laden, 54 anos, filho de um emigrante iemenita que se transformou num dos homens mais ricos da Arábia Saudita, fundador e líder da Al Qaeda, principal mentor do maior atentado terrorista perpetrado em solo norte-americano, morreu na madrugada de 1 para 2 de Maio, na casa onde tinha o seu esconderijo em Abbottabad, a 60 quilómetros de Islamabade, capital do Paquistão, após uma operação especial autorizada pela Administração Obama, dirigida pela CIA e executada por elementos da Navy Seal e da Joint Special Operations Command.

Foi uma missão preparada ao detalhe e que terá começado em Agosto, num cruzamento de serviços de informação, decisão estratégica e execução no terreno de tropas especiais. Os últimos anos pareciam ter mostrado uma certa perda de eficácia americana neste tabuleiro – e, também por isso, este desfecho extraordinariamente bem sucedido constitui uma das maiores vitórias de Barack Obama desde que assumiu o cargo de Presidente dos EUA.


Apanhar Bin Laden, quase uma década depois do 11 de Setembro, era ainda uma questão de honra para os norte-americanos

«Este foi um bom dia para a América», anunciou Obama. «O Mundo tornou-se um lugar melhor depois da morte de Osama Bin Laden», prosseguiu o Presidente, num registo bem ao estilo da retórica clássica dos EUA nestas ocasiões.

«Há quase dez anos, sofremos o pior ataque da nossa história. Um dia que nunca sairá da nossa memória. Hoje, às famílias que perderam alguém na guerra contra o terror podemos dizer que a justiça foi feita. O nosso país manteve o empenho e a justiça foi feita. Hoje lembramo-nos, como nação, que não há nada que não possamos fazer quando nos recordamos do sentimento de unidade que nos define», sentenciou Obama.

A morte e o seu simbolismo
Nem vale a pena argumentar muito sobre a mais que evidente perda de influência operacional de Bin Laden nos últimos anos. Desde 2005/2006, no pós-atentados de Londres (Julho 2005), que a Al Qaeda já tinha deixado de ser uma estrutura global e centralizada – e passou a ser algo próximo de um mito pouco consistente, pulverizado em micro-organizações de terrorismo franchisado em zonas como o Magrebe, Médio Oriente e, sobretudo, nos países muçulmanos da Ásia.

E também de pouco valerá, num dia histórico como este, com tamanha carga simbólica para todos os que condenam o terrorismo e, em especial, para os norte-americanos, recordar que os recentes movimentos sociais e políticos no mundo árabe (que, nos últimos meses, já redundaram nas quedas das ditaduras de Ben Ali, na Tunísia, e Mubarak, no Egipto, e ainda na eclosão da guerra na Líbia e fortes convulsões sociais na Síria, no Iémen e no Bahrein), deixavam antever uma certa perda de ascendente por parte da Al Qaeda em relação à «agenda de contestação» daquela que foi uma importante base de apoio da organização terrorista, nos primeiros anos do século XXI.


A morte de Bin Laden gerou uma onda de euforia em cidades como Nova Iorque e Washington

Para os americanos, esta era uma espinha atravessada na garganta. Uma questão de orgulho que havia que resolver. As reacções de euforia que se verificaram em cidades como Nova Iorque ou Washington são a maior prova de como a morte de Bin Laden era uma missão que faltava cumprir no espírito americano. E até aconteceram reacções quase da esfera do milagre político, como as felicitações dadas ao Presidente Obama por... Dick Cheney!

E depois da euforia?
Festejar uma morte tem um certo tom macabro num mundo supostamente racional. Mas foi isso que acabou de acontecer, nas mais variadas capitais «civilizadas» -- de Washington a Paris, de Londres a Madrid, de Lisboa a Nova Iorque (ONU).

Passada a euforia, que por certo durará pouco neste Mundo de ‘headlines’ instantâneos, há que analisar o que pode mudar na luta contra o terrorismo.

Estranhamente, deve mudar pouco.

Bem recentemente, Obama tomou decisões importantes em postos chave na Defesa e Segurança Nacional -- e que apontam para a continuidade na linha de «realismo» que tem dominado a sua política externa: Leon Panetta, experimentadíssimo, transita da CIA para o Pentágono, rendendo Robert Gates (único sobrevivente dos anos Bush para a era Obama em cargos de topo) no posto de secretário da Defesa.

David Petraeus, o mais respeitado general do exército americano, o homem da ‘surge’ bem sucedida que permitiu o início da retirada do Iraque, será o novo homem forte da CIA, deixando os comandos militares do Iraque e Afeganistão ao seu sucessor, o general John Allen.

Quando assumir funções em Langley, Petraeus reforçará a ideia de que a rota de Obama para os postos de Defesa e Segurança Nacional passa pela redução de efectivos no terreno e pela aposta nos neurónios e nos serviços secretos. Sem estes dois ingredientes, acreditem, não se teria feito História algures em Abbottabad, numa mansão que escondia o homem mais procurado do Mundo.

O importante era apanhar «o cérebro do terror» – e Barack, na campanha presidencial de 2008, já tinha delimitado o alvo: se fosse necessário, os EUA iriam «matar Osama Bin Laden».

Há máximas que nem um Presidente tão original como Obama consegue mudar. E o orgulho americano vê-se em operações especiais como esta.

Barack Obama anuncia a morte de Osama Bin Laden: «Quase dez anos depois, foi feita justiça»

O Presidente dos EUA anunciou que Bin Laden foi morto numa acção militar no Paquistão. Obama manifestou a sua convicção de que, após a eliminação de Bin Laden, a «Al Qaeda fica enfraquecida, embora não termine o risco que ela representa».

E recordou: «Há quase 10 anos, sofremos o pior ataque de nossa história. Um dia que nunca sairá de nossa memória. Hoje, para as famílias que perderam alguém na guerra contra o terror, podemos dizer que a justiça foi feita».

Triunfo para os EUA e para a Administração Obama: Osama Bin Laden foi capturado e morto


Um artigo de Laura Meckler, no Wall Street Journal:

«WASHINGTON-- Al Qaeda leader Osama bin Laden is dead, President Obama said. The U.S. has his body in its possession, U.S. officials said late Sunday.

Mr. bin Laden was killed in a joint raid overnight Sunday in Pakistan's northwestern district of Abbottabad, some 40 miles from Islamabad, according to a senior Pakistani official.

The town also is home to a Pakistani military academy. Two American helicopters took part in the operation, the official said. One Pakistani helicopter involved in the raid crashed after it was hit by firing from militants.

President Barack Obama made the announcement late Sunday at the White House. The development capped a manhunt of more than a decade for the architect of the Sept. 11, 2001, attacks that left nearly 3,000 people dead and dramatically altered U.S. foreign policy and the nation's sense of security.

Although Mr. bin Laden was not thought to be a critical operational leader of al Qaeda, he had been the worldwide symbol of the terrorist network.

Because he has been so difficult to find for more than a decade, the killing of Mr. bin Laden is a major victory for Mr. Obama, who demanded an aggressive expansion of Predator drone strikes in Pakistan.

In a recent book on Mr. bin Laden, Michael Scheuer, former chief of the Central Intelligence Agency's bin Laden unit, wrote that the al Qaeda leader's goal was to attack the West, and then to move on to Arab states and Israel, but that "he has given no indication that he expects to live long enough to finish the job."

Instead, Mr. Scheuer wrote, Mr. bin Laden "has anticipated a war of attrition, one that might last decades," so he began passing the torch to younger al Qaeda activists.»

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Será que é desta que acabam com o disparate sobre o local de nascimento de Obama?


Donald Trump, a nova sensação da corrida republicana, tem feito da questão do local de nascimento de Obama uma das suas bandeiras. A dúvida é disparatada: já tinha sido lançada na campanha de 2008 e foi devidamente esclarecida na altura.

Mas nesta sociedade sem memória a verdade tem que ser repetida e recordada. Foi o que Obama fez ontem, com a divulgação da totalidade do seu certificado de nascimento, onde se pode ler claramente que nasceu em HONOLULU, HAWAI, para ver se se termina da vez com o disparate e, como disse o Presidente, «para que possamos voltar a discutir questões verdadeiramente importantes».

Será possível?

Pelo menos, parece que a divulgação ajudou a clarificar, no lado republicano, quem insiste em se manter tolerante para com os «birthers» e quem se demarca completamente desse bizarro movimento...

Alterações em postos chave: Leon Panetta no Pentágono, David Petraeus na CIA


Como já era esperado, Robert Gates, o único elemento de topo que se manteve da Administração Bush para o Governo Obama, abandonará o cargo de secretário da Defesa.

Barack Obama escolheu Leon Panetta, actual director da CIA, para novo chefe do Pentágono. Para Langley, sede da agência central de inteligência, passará o general David Petraeus, que era, até agora, o homem forte do Exército americano nas principais operações de guerra em que os EUA intervêm (com excepção da Líbia).

São mudanças de fundo em postos chave, mas que apontam para uma certa linha de continuidade. E que mostram que Obama está já a preparar o segundo mandato presidencial, mantendo uma visão realista das questões de defesa e segurança externa, numa altura em que se começam a ensaiar cortes orçamentais na Defesa, que poderão alterar a forma como os EUA olham para a sua intervenção no resto do Mundo, na próxima década.

Um artigo de Elizabeth Bumiller e Mark Landler, no New York Times:

«WASHINGTON — President Obama will reshuffle his national security team on Thursday, naming Leon E. Panetta, director of the Central Intelligence Agency, as defense secretary and Gen. David H. Petraeus, the top American commander in Afghanistan, to lead the C.I.A., administration officials said Wednesday.

The appointments, set in motion by the impending retirement of Defense Secretary Robert M. Gates, are the most significant realignment of Mr. Obama’s war council and could have important implications for the American strategy in Afghanistan as well as for the troubled relationship with Pakistan.

General Petraeus is the leading advocate of the ambitious counterinsurgency strategy in Afghanistan, which seeks to build up the country’s political and administrative institutions. Mr. Panetta is viewed as having favored a more limited counterterrorism approach focused mainly on fighting insurgents. At the C.I.A., he has overseen a sharp increase in clandestine drone strikes in Pakistan, a growing source of tension between the United States and the Pakistani government.

Mr. Obama will announce his new lineup on Thursday along with a confirmation of Mr. Gates’s retirement, effective June 30, and two related appointments. Mr. Gates, a former C.I.A. director and Republican holdover from the Bush administration who has become a highly influential member of Mr. Obama’s Cabinet, spent part of Wednesday calling leaders on Capitol Hill and telling them that he had recommended Mr. Panetta as his successor six months ago.

The reshuffling comes as Mr. Obama is making a critical decision about how many of the roughly 100,000 American troops in Afghanistan to withdraw starting this summer. The shift also places someone who has been immersed in government finances — Mr. Panetta was director of the White House budget office in 1993 and 1994 — at the forefront of what could be the most intense Pentagon budget battle in years.

Mr. Panetta, 72, was reluctant to leave the C.I.A., a senior administration official said. But after mulling it over for several weeks, he finally agreed to take the post in a conversation with the president on Monday evening.

The realignment is certain to raise questions about the militarization of intelligence and the extent to which the Pentagon and the C.I.A. are intertwined in Afghanistan, Iraq, Yemen and other trouble spots in the world.

Mr. Obama has been thinking about the changes since before Christmas, when he was handed a type-written list of candidates for the Pentagon post by his national security adviser, Thomas E. Donilon. Although Secretary of State Hillary Rodham Clinton was discussed in Washington as a candidate to succeed Mr. Gates, an administration official said “it was Leon the whole time.”

In giving the C.I.A. post to General Petraeus, who initially was distrusted by the White House, Mr. Obama is retaining a celebrated soldier with extensive knowledge of intelligence gathering in both Afghanistan and Iraq. His reputation was so formidable, officials said, that it was difficult to rotate him to another military post. He will retire from the Army to take this job, a senior official said.

General Petraeus, who commanded the 2007 surge in American forces in Iraq, has sought to earn the trust of the Obama White House by keeping a lower profile, even as Democrats fretted that he might have political ambitions. Last year, his work paid off when Mr. Obama turned to him to replace Gen. Stanley H. McChrystal as the commander in Afghanistan after a Rolling Stone magazine article that portrayed General McChrystal’s staff as making disparaging remarks about the president’s national security team.

“The president went to creative lengths to keep Petraeus in the government,” a senior official said Wednesday.

A number of General Petraeus’s associates described him as extremely eager to take the appointment. “He welcomes the opportunity to ‘stay in the fight,’ as he put it,” said Michael O’Hanlon, a military expert at the Brookings Institution who talked to General Petraeus about the C.I.A. position in March.

The military will face additional changes at the top, with the departure of the chairman of the Joint Chiefs of Staff, Adm. Mike Mullen, who, like Mr. Gates, was appointed by President George W. Bush, and whose term expires at the end of September. And Deputy Secretary of State James B. Steinberg has announced that he is leaving for an academic job — removing one of the key players in Mr. Obama’s efforts to manage China’s rise.

But Mr. Gates’s role has been the most critical. He often allied on key issues with Mrs. Clinton — who has said that she intends to leave the government when this term ends — including persuading Mr. Obama to start the military buildup in Afghanistan in 2009. Together they won other battles, but they visibly split last month on the military intervention in Libya, which Mr. Gates warned against.

On Thursday, Mr. Obama will nominate Lt. Gen. John R. Allen, a Marine who is now deputy commander of the United States Central Command, as General Petraeus’s successor in Afghanistan. General Allen has close ties to Mr. Donilon, officials said. He also served in Iraq, where officials said he gained experience in reconciling with insurgents — a process being pursued with the Taliban in Afghanistan.

Mr. Obama will also name the veteran diplomat Ryan C. Crocker as the next ambassador to Afghanistan, officials said. That move would, at least briefly, reunite Mr. Crocker, a former ambassador to Baghdad, with General Petraeus, with whom he worked closely in Iraq during the Bush administration. Mr. Crocker served briefly in Kabul in 2002, reopening the embassy after the fall of the Taliban.

Mr. Crocker will replace Ambassador Karl W. Eikenberry, a retired lieutenant general and onetime commander in Afghanistan who had sometimes rocky relations with the President Hamid Karzai of Afghanistan. His departure completes a turnover of the American diplomatic roster in Afghanistan and Pakistan, which comes as the State Department is assuming a larger role from the Pentagon.

During the administration’s long debate on Afghanistan, Mr. Panetta favored an approach based on counterterrorism operations, aligning himself with Vice President Joseph R. Biden Jr. But with the administration’s strategy now firmly set, officials said Mr. Panetta’s move to the Pentagon did not augur a retreat from the counterinsurgency policies pioneered by General Petraeus.»

terça-feira, 12 de abril de 2011

Observatório 2012 (XII): Mitt Romney é candidato às primárias republicanas


Em algumas sondagens para a corrida republicana aparece em primeiro lugar. Em quase todas, surge nos três primeiros, a par de Mike Huckabee e Sarah Palin. Mitt Romney, 64 anos, ex-governador do Massachussets, anunciou oficialmente a criação de um Comité Exploratório, através deste video YouTube, gravado em Durham, New Hampshire (um estado de arranque, onde Mitt está a apostar forte).





Conservador nos costumes, governou, com forte popularidade, um estado liberal e aplicou uma reforma da saúde muito idêntica ao ObamaCare aprovado em Março de 2010.

Foi terceiro classificado nas primárias de 2008 e será um dos republicanos com mais hipóteses de disputar o centro político a Obama. Mas será que este Partido Republicano tão influenciado pelos movimentos radicais 'Tea Party' resistirá à tentação de virar mais à direita?

Só os próximos meses poderão responder. Até lá, está tudo à espera de saber se outras cartas importantes neste jogo (Sarah Palin, Newt Gingrich, Rick Santorum, Michelle Bachmann, Mike Huckabee, Mitch Daniels, Haley Barbour, Rudy Giuliani, Jon Huntsman ou Chris Christie) vão mesmo avançar, ou se alguns deles optam por não entrar na corrida.

Tim Pawlenty, antigo governador do Minnesota, 50 anos, outro possível candidato do sector mais moderado do GOP, também já anunciou a candidatura.

Até ao Verão, os dados do jogo já devem ficar mais claro. Do lado democrata, depois do anúncio a 4 de Abril de que Obama é obviamente recandidato, a questão não se porá: Barack será mesmo o nomeado.

Faltam 19 meses para as eleições presidenciais norte-americanas de Novembro de 2012.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Observatório (X): 53 por cento de aprovação para Obama



Com estes níveis de aprovação, o caminho da reeleição, oficialmente iniciado na passada segunda-feira, está mais do que aberto para Barack Obama...

SONDAGEM AP/GfK

Taxa de aprovação: 53%

Reprovação: 45%

(dados recolhidos entre 24 e 28 de Março de 2011)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Confirmada a recandidatura presidencial de Barack Obama

O 'kick-off' da longa caminhada pela reeleição deu-se num video YouTube publicado em BarackObama.com:

sábado, 2 de abril de 2011

Observatório 2012 (IX): Obama deve anunciar recandidatura na segunda-feira



Já neste blogue se tinha escrito que a recandidatura de Barack Obama iria ser oficializada em Abril.

A confirmação deverá acontecer já esta segunda-feira,
dia 4, numa altura relativamente positiva para o Presidente: os números do desemprego continuam a descer na América (estão nos 8.8%, o valor mais baixo dos últimos dois anos) e, do lado republicano, a corrida para as primárias tarda em arrancar, perante a falta de um claro 'frontrunner').

Na frente externa, a questão líbia está longe de ficar clarificada, mas os indicadores junto da opinião pública norte-americana apontam para um apoio moderado dos eleitores à posição da Administração Obama.

Com uma Taxa de Aprovação a rondar os 52%, esta parece, pois, ser a altura certa para Barack Obama avançar para mais uma longa corrida: a da candidatura a um segundo mandato presidencial.

Para saber mais sobre os preparativos da recandidatura de Obama, leia este artigo de Carol Lee no Wall Street Journal:

«President Barack Obama will officially open his 2012 re-election campaign as early as Monday, according to people familiar with the decision, a step to be followed by an announcement to supporters and a series of fund-raising trips across the country.

President Obama spoke at a UPS facility in Landover, Md., on Friday.
.The president would be launching his campaign amid high-stakes budget negotiations in Congress from which Mr. Obama has maintained a distance, and could fuel irritation among some Democrats worried that Mr. Obama has already been crafting positions and a strategy with 2012 in mind.

Mr. Obama plans to hit the road this month to raise money for his re-election effort. He will headline a fund-raiser in his hometown of Chicago, home to his campaign headquarters, over the next two weeks.

He will also raise money in New York and make a swing out West, mixing stops for presidential events highlighting the economy and fund-raising in San Francisco and Los Angeles.

The fund-raisers are billed as benefiting the Democratic National Committee, but once Mr. Obama formally opens his campaign, the money can be split between his 2012 bid and the DNC. The president's political team has plans for "Gen44" events with young voters who were central to Mr. Obama's 2008 win.

Mr. Obama's campaign is expected to file paperwork Monday with the Federal Election Commission, people familiar with the process said, although the date could slip. The decision will open the doors for fund-raising that could lead to the most expensive campaign in history.

The president's campaign manager, Jim Messina, has been warming up big-money donors. During a meeting in Washington, D.C., last month, he asked 450 donors to raise $350,000 each by the end of 2011.

If he files with the FEC on Monday, Mr. Obama would be the lone 2012 candidate to formally declare. He isn't expected to face a primary challenge.

No Republican contender has formally launched a campaign, though former Minnesota Gov. Tim Pawlenty recently established an exploratory committee and former Massachusetts Gov. Mitt Romney—who went on a 15-city push to secure money—is among several Republicans who have been raising funds.

Republicans sought to take advantage of what they saw as a president swinging into campaign mode: "I'm somewhat amazed that at a time when millions of Americans continue to be out of work, we're facing multiple crises and we're trying to get a deal to keep the government operating, the president has spent more time on figuring out his re-election campaign than he has in addressing the both domestic and international issues," said Sean Spicer, the communications director for the Republican National Committee.

A spokesman for the Democratic National Committee declined to comment Friday.

The president's advisers have said that the start of a campaign wouldn't mean Mr. Obama would be consumed with campaigning and that it is typical for sitting presidents to begin their re-election efforts around this time.

The White House envisions the re-election campaign will be relatively quiet until next spring, when Republicans have settled on a candidate.

Mr. Obama's job approval fell to 48% in the most recent Wall Street Journal/NBC News poll from 53% in February, but it was still higher than at any time since last May.

Ever since Mr. Obama cut a tax deal with Republicans last fall, some Democrats have complained that the president moved to the middle and gave too easily into Republican demands.

Mr. Obama has also irked some in his party with an effort to return to his post-partisan rhetoric of 2008.

The move is partly an adjustment to the new political reality in Washington, but also a calculated move on the president's part to win over independent voters.

Mr. Obama acknowledged the sentiment during an event with Democratic donors last month.

"I know that sometimes people may get frustrated and think, you know what, Obama is being too nice and we need to get in there and take it to them," he said. But such an approach is needed to achieve the party's goals, he said.»

terça-feira, 29 de março de 2011

Obama sobre a intervenção na Líbia: «Defender civis de um massacre»

Importante discurso do Presidente dos EUA na National Defense University:

segunda-feira, 21 de março de 2011

Observatório 2012 (VIII): Tim Pawlenty a caminho da oficialização da candidatura nas primárias republicanas


Tim Pawlenty Exploratory Committee for President of the United States Visual Announcement from Tim Pawlenty on Vimeo.



O ex-governador do Minnesota, 50 anos, anunciou a formação de um Comité Exploratório, sinal de que conta mesmo avançar com uma candidatura presidencial.

Para já, as sondagens não o colocam entre os favoritos do GOP, mas a moderação de Tim Pawlenty poderá torná-lo, mais lá para a frente, um dos nomes mais fortes para a nomeação.

Do lado republicano, aguarda-se pela decisão de Sarah Palin, Newt Gingrich, Mitch Daniels, Chris Christie e Mike Huckabee, sendo quase certo que Mitt Romney, Haley Barbour e Rick Santorum vão mesmo avançar.

As próximas semanas podem ajudar à clarificação do campo oposto ao do Presidente Obama, na corrida às presidenciais norte-americanas de 2012.

domingo, 20 de março de 2011

Obama autoriza «acção militar limitada» na Líbia

O Presidente dos EUA explicou que a acção tem como objectivo o cumprimento da Resolução 1973 da ONU. A América participa em coligação militar alargada, com o Reino Unido, a França, Itália e o Canadá.

É a primeira vez que Obama, enquanto Presidente, faz uma autorização de intervenção militar num cenário diferente das duas guerras que herdou do seu antecessor: Iraque e Afeganistão.