sábado, 13 de agosto de 2011

Histórias da Casa Branca: O paradoxo republicano


Mitt Romney e Michelle Bachmann no debate do Iowa: o ex-governador do Massachussets foi o vencedor «por exclusão» de um despique demasiado centrado nos ataques da congressista do Minnesota a Tim Pawlenty


O paradoxo republicano

Por Germano Almeida


Quando a popularidade de Barack Obama começou a descer para níveis inferiores a 50 por cento, mesmo depois de sucessos como a conquista do Nobel da Paz ou a aprovação da Reforma da Saúde, começou a falar-se no «paradoxo Obama».

Mas a um ano e três meses das eleições presidenciais de Novembro de 2012, forma-se, agora, um fenómeno em sentido inverso: uma espécie de «paradoxo republicano», que se poderá definir pela falta de capacidade que o GOP está a revelar para conseguir lançar um candidato presidencial que consiga aproveitar a falta de popularidade do actual Presidente.

O debate de sexta à noite no Iowa, o segundo da corrida à nomeação republicana, voltou a demonstrar essa estranha realidade.

Mitt Romney, ex-governador do Massachussets, voltou a afirmar-se como o candidato menos colado ao discurso radical do Tea Party. À frente nas sondagens, optou por uma estratégia de contenção e parece ter-se saído bem com isso: «Foi uma noite boa para nós», admitiu Stuart Stevens, conselheiro da campanha de Romney.

O maior despique foi entre os dois candidatos que vêm do Minnesota: a congressista Michelle Bachmann atacou o ex-governador Tim Pawlenty, acusando-o de «se parecer com Barack Obama» nas opções que fez quando liderou o maior estado do Midwest.

Uma comparação com o Presidente, em pleno debate de um Partido Republicano cada vez mais hostil a Obama, era, como se imagina, o ataque mais feroz que Bachmann poderia fazer a Pawlenty.

Enquanto os rivais do Minnesota se digladiavam, Romney assistia de forma ponderada e Jon Huntsman, que definitivamente não consegue descolar nas sondagens, perdia mais uma oportunidade para se assumir como a alternativa mais sólida para uma escolha menos comprometida com a Direita radical.

Perry salta para segundo
Especialmente atento ao debate do Iowa esteve, certamente, Rick Perry. O governador do Texas confirmou este sábado, na Carolina do Sul, o que há algumas semanas parecia um dado praticamente adquirido: vai mesmo avançar com a sua candidatura presidencial.

Ainda antes do anúncio oficial, Perry já saltava directamente para o segundo lugar nas sondagens pela corrida republicana. Um pouco atrás de Romney, mas já claramente à frente de Michelle Bachmann, Sarah Palin, Herman Cain, Jon Huntsman, Ron Paul, Tim Pawlenty, Newt Gingrich e Rick Santorum.


Rick Perry: o governador do Texas confirmou, na Carolina do Sul, que é candidato à nomeação republicana. Saltou, de imediato, para o segundo lugar da corrida, assumindo-se como principal ameaça ao favoritismo de Mitt Romney

Um estudo CNN/ORC dava mesmo Rick Perry a apenas dois pontos de Romney (17/15), embora na sondagem da FOX News a distância fosse bem maior: 21 por cento para o antigo governador do Massachussets, 13 para o ainda governador do Texas.

«Falcão fiscal», acérrimo defensor do porte de armas e da pena de morte, veste a pele do «republicano clássico». Muito do que tem defendido na última década, como governador do Texas, tem forte acolhimento eleitoral em tempos de corte na depesa. Não tem as ligações de Bachmann ou Palin ao Tea Party: a sua base de apoio provém do ‘establishment’ do Partido Republicano.

Mas não deixa de ser curioso que, num cenário demasiado virado à direita no actual quadro de candidatos do GOP, esta ‘carta escondida’ apareça de alguém com as credenciais de Rick Perry.

Parece ser, pois, a prova definitiva de que não há mais espaço, no campo republicano, para candidaturas moderadas. «Os republicanos cederam a sua base ideológica à direita radical. O Tea Party tem o total controlo do jogo político do GOP», acusa o senador John Kerry, nomeado presidencial democrata em 2004 e forte apoiante da recandidatura de Barack Obama.

Sarah ainda na jogada
Com Romney a aguentar a liderança e Rick Perry a assumir-se como a principal ameaça ao favoritismo de Mitt, falta saber se haverá condições reais para que uma candidatura promovida pelo Tea Party entre a sério na disputa pela investidura republicana.
Seria, aí sim, o sinal definitivo de uma grave crise do sistema bipartidário em que se tem baseado o jogo político de Washington.

O protagonismo de Michelle Bachmann tem valido à congressista do Minnesota números inesperados nas sondagens. Mas não chega para que se equacione, com realismo, a nomeação de uma candidata tão mal preparada para as funções presidenciais.

Mas o caso pode mudar de figura se Sarah Palin avançar. A vice de John McCain no ‘ticket’ presidencial republicano de 2008 continua a assistir a tudo isto de forma muito próxima: tem continuado a angariar fundos no Iowa e confessou, na sexta-feira passada, a Sean Hannity, da Fox:‘I’m still considering a run’.

Aparentemente, Michelle Bachmann e Sarah Palin disputam o mesmo eleitorado: a «América profunda», que não se revê nas características de Barack Obama como Presidente e que pretendem uma agenda presidencial mais virada para o «small government» e para os valores morais.


Sarah Palin tem adiado a entrada na corrida, mas deve mesmo avançar lá para Outubro. Disputa o mesmo espaço de Michelle Bachmann e uma possível junção das duas candidaturas poderá tornar o Tea Party um caso sério na corrida republicana para 2012

Mesmo com Palin fora dos debates, os números de ambas nas sondagens chegam, somados, aos 20 e poucos por cento. Não será de excluir que, quando Sarah estiver oficialmente na corrida, se coloque, daqui a uns meses, o cenário duma fusão das duas vias – resultando, dessa junção, uma candidatura com dinheiro e apoios políticos muito consideráveis.

Colagem ao Tea Party
O aquecer da corrida republicana não parece assustar excessivamente o campo democrata.

David Axelrod, chefe da equipa de estratégia da campanha de reeleição de Obama, foi ao Iowa assistir ao debate e declarou, em entrevista à MSNBC: «Continuo a achar que Mitt Romney é o favorito natural à nomeação republicana. Mas é um ‘frontrunner’ fraco. Rick Perry pode ser um candidato formidável, mas cai no mesmo erro dos seus rivais de partido: todos os candidatos republicanos desta eleição se renderam ao dogma do Tea Party».

O argumento da colagem à direita tem fundamento e talvez explique esta aparente contradição que as sondagens insistem em mostrar: mesmo com uma Taxa de Aprovação a roçar os 40 por cento (entre 41 e 44 nos diferentes estudos, nos últimos dias), Barack Obama continua a liderar as preferências em todos os duelos possíveis para 2012: o Gallup publicou sondagem que dá 49 por cento ao actual Presidente e 45 por cento ao candidato republicano que vier a ser nomeado.

E, de acordo com um estudo feito esta semana pelo Opinion Research Corporation para a CNN, Obama faz o pleno nos diferentes cenários para a eleição geral: bateria Mitt Romney por 49/48, Rick Perry por 51/46, Sarah Palin por 55/41 e Michelle Bachmann por 51/45.

Estes números, em pleno «Verão do descontentamento» para a Presidência Obama, são a prova de que, a 15 meses das eleições de Novembro de 2012, a narrativa segundo a qual a reeleição de Barack Obama já está comprometida é, como se vê, uma história muito mal contada.

A forma como o eleitorado americano reagiu às negociações feitas em Washington sobre a crise do tecto da dívida, que abordaremos no próximo texto, talvez ajude a perceber como é possível que Obama consiga sobreviver a tantas adversidades – e se mantenha como o mais provável vencedor das próximas eleições presidenciais.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Histórias da Casa Branca: Rick Perry, a 'carta escondida' que pode aparecer do Texas


Rick Perry, 61 anos, governa há uma década o estado do Texas. É um «conservador fiscal», com credenciais reformistas que podem valer muito em tempos de «cortes na despesa» em Washington. Apesar do ruído das 'Tea Party darlings' (Michelle Bachmann e Sarah Palin), Mitt Romney sabe que a sua maior ameaça pode vir do Texas...


Rick Perry, a ‘carta escondida’
que pode aparecer do Texas

Por Germano Almeida


Faltam 15 meses para as eleições presidenciais de Novembro de 2012. Pode parecer muito tempo, mas, na política americana, um ano e três meses significa que está a chegar o tempo das definições.

Em ciclo de tentativa de reeleição para o Presidente em funções, isso quer dizer que só haverá primárias no campo oposto à cor política que se encontra na Casa Branca.

Mesmo com o desconforto manifestado pelos «liberais» em relação aos «compromissos» que Obama tem tido que fazer com os republicanos, em tempo de «mixed Congress» (larga maioria republicana na Câmara dos Representantes, curta maioria democrata no Senado), não é de admitir outro cenário que não seja a nomeação, sem luta real, de Barack Obama pelo Partido Democrata.

Como nota hoje Jay Cost, no ‘Weekly Standard’, «a esquerda nunca abandonará Obama». «O Presidente vai contar com o apoio total e inequívoco de todo o espectro político dos democratas na eleição presidencial de 2012», reforça o analista.

Do lado republicano, uma consulta mais imediata pelas sondagens faria atribuir, com uma larga antecipação, a nomeação a Mitt Romney.

É certo que o ex-governador do Massachussets tem mantido uma constante e sólida liderança nos estudos de opinião nos últimos meses.

Além do primeiro lugar nas preferências dos republicanos, Mitt (que nas primárias de 2008 foi terceiro classificado e se revelou muito forte em estados importantes para a eleição geral, como o Michigan, Flórida e New Hampshire) é também, de longe, o candidato republicano que angariou mais dinheiro -- perto de 20 milhões de dólares, mais do que todos os seus adversários juntos (Bachmann e Paul angariaram perto de quatro milhões; Cain, Pawlenty, Gingrich e Huntsman cerca de dois milhões, Rick Santorum ainda não atingiu um milhão de dólares).

Poderiam parecer razões mais do que suficientes para considerar que -- apesar de um certo folclore garantido por candidatos como Michelle Bachmann, Ron Paul, Herman Cain ou mesmo Sarah Palin (se a ex-vice de McCain acabar por avançar) – as coisas poderiam estar destinadas a terminar, no lado republicano, com a investidura de Romney como o candidato que terá a missão de enfrentar a eleição geral com Barack Obama.

Mas uma corrida à nomeação presidencial nos EUA é um longo caminho – e raramente termina com o cenário que era mais plausível no início. Basta recordar o que aconteceu em 2008: do lado democrata, a favorita era Hillary Clinton, enquanto, nos republicanos, liderava… Rudy Giuliani. A eleição geral acabou por ser disputada por dois ‘underdogs’: Barack Obama e John McCain.

Vazio na zona clássica do GOP
As sondagens mostram que Romney tem boas hipóteses de discutir com Obama a vitória nos ‘swing states’ – aqueles que, geralmente, decidem a eleição.

Aos olhos do eleitorado, Mitt aparece como o mais «elegível», quando comparado com um maior radicalismo de Bachmann, Palin, Cain ou Gingrich e com o cinzentismo de Tim Pawlenty e Jon Huntsman – dois candidatos que poderiam disputar a zona centrista com Romney, mas que não estão a conseguir vencer os problemas de falta de notoriedade pública que têm – e sem a qual não terão condições de sonhar com a nomeação.

O problema é que, para as bases do Partido Republicano, é importante apoiar um candidato que se identifique com o essencial dos valores que, nas últimas décadas, têm dominado a doutrina do GOP. Ronald Reagan continua a ser, nesse capítulo, a referência maior.

John McCain teve sempre esse problema, mesmo quando, há quatro anos, obteve a nomeação: as suas credenciais de ‘maverick’ eram vistas com reservas.

Ora, Mitt Romney não é apontado, propriamente, como um republicano clássico: governou um dos estados mais liberais da América, o Massachussets.

Já oscilou as suas opiniões em temas sociais, é mórmon (religião minoritária e olhada com desconfiança por uma boa parte do eleitorado americano) e, problema principal, fez aprovar, enquanto governador do Massachussets, um programa estadual para a Saúde em tudo idêntico ao ObamaCare aprovado em Março de 2010 – e tão criticado pelo eleitorado que Romney quer agora convencer.

É desta, Rick?
Neste quadro, o espaço para poder aparecer pelo menos mais uma candidatura nas primárias republicanas tem vindo a ser reclamado por vários sectores do ‘establishment’ do GOP (‘Grand Old Party').

Com as auto-exclusões do governador do Indiana, Mitch Daniels, e do governador da Nova Jérsia, Chris Christie, a ‘carta escondida’ que tem vindo a ser falada nas últimas semanas é o governador do Texas, Rick Perry.

Sucessor de George W. Bush na Mansão de Austin, quando o 43.º Presidente dos EUA resignou ao cargo para tomar posse na Casa Branca, em Janeiro de 2001, venceu três eleições seguidas, tornando-se o governador do Texas há mais tempo no cargo e um dos governadores de estado mais bem-sucedidos da história da América.

Curiosamente, começou a carreira política no Partido Democrata, tendo apoiado a (falhada) candidatura presidencial de Al Gore, em 1988.

É costume dizer-se que «um democrata no Texas é mais conservador que um republicano no Maine». O percurso de Rick Perry prova isso. Com o passar dos anos, foi-se aproximando do Partido Republicano, sem ter mudado de posição nas questões essenciais: foi sempre um «conservador fiscal», colocando como prioritário o equilíbrio orçamental na sua governação de um dos maiores estados dos EUA.

Nos temas de sociedade, situa-se na ala tradicional do GOP: na questão do aborto, é ‘pro life’ e opõe-se ao casamento dos homossexuais. Seja como for, o seu discurso político não o coloca muito à direita entre os republicanos. As credenciais reformistas e pragmáticas na área fiscal serão, se avançar, o seu maior trunfo, em tempos de «corte na despesa» em Washington.

Mesmo sem ter confirmado ainda a sua candidatura presidencial para 2012, Rick Perry já aparece em segundo lugar nas sondagens das primárias republicanas. Alguns pontos atrás de Romney, mas claramente à frente das eventuais preferidas do Tea Party – Michelle Bachmann e Sarah Palin.

Se alguém conseguir tirar o favoritismo a Mitt Romney, tudo aponta que venha do Texas – e seja o actual líder dos governadores republicanos. Estejam atentos a Rick Perry.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Histórias da Casa Branca: Criar um legado em tempos difíceis


No dia em que faz 50 anos, Barack Obama sabe que tem poucas razões para festejar. A 15 meses de tentar a reeleição, terá que saber agarrar as soluções para o que mais preocupa os norte-americanos, de modo a reconstruir a sua maioria presidencial


Criar um legado em tempos difíceis

Por Germano Almeida


Ultrapassado o fantasma do ‘default’, à custa de uma batalha que durou três meses e que colocou o clima político em Washington em níveis muito pouco recomendáveis, as próximas semanas na Casa Branca, no Capitólio e na ‘House’ serão de relativa acalmia.

Depois das férias da família Obama em Martha's Vineyard, Setembro ditará o regresso da ‘hard politics’, com o início das negociações para o Orçamento. Será a primeira prova de fogo para Obama, após o acordo que permitiu o aumento do tecto da dívida.

O Presidente terá que conseguir mostrar, na preparação do próximo Orçamento, que o acordo aprovado no Congresso não foi uma «capitulação» da sua agenda política e económica, ao contrário dos receios apontados pela ala esquerda do Partido Democrata.

Nos dias anteriores ao acordo que evitou o ‘Armagedão’ financeiro, Barack Obama conheceu o valor mais baixo da sua Taxa de Aprovação, desde que é Presidente: 40 por cento.

A solução de última hora já lhe permitiu uma ligeira recuperação (42 a 46 por cento de popularidade, dependendo dos diferentes barómetros), mas muito longe dos 55/57 dos dias que sucederam à eliminação de Bin Laden e, é claro, a milhas dos 67/70 por cento de aprovação das semanas posteriores à sua tomada de posse, a 20 de Janeiro de 2009.

Barack Obama -- que em 2008 era o candidato da esperança criada num regresso aos dias da América como «the last best hope of earth» -- parece, por isso, destinado a ser (pelo menos neste primeiro mandato), um Presidente a governar em «tempos difíceis».

Se a palavra chave para definir Obama-candidato era «mudança», o conceito que tem dominado a acção do Obama-Presidente é (se formos optimistas) «compromisso». Uma visão mais crítica, que começa a dominar entre os liberais, aponta para a palavra «cedência», que tem uma conotação mais negativa.

Certo, certo é que o pragmatismo que sempre caracterizou as escolhas de Barack Obama já o levou a assumir, sem rodeios, decisões muito pouco estimulantes para o «orgulho americano», como o fim do programa espacial.

Melhor candidato do que Presidente?
Na América, a ‘accountability’ dos políticos que exercem cargos públicos de topo é algo que se leva muito a sério. A Taxa de Aprovação do Presidente é medida diariamente por barómetros fiáveis, como o do Gallup.

E a verdade é que os primeiros dois anos e sete meses da Presidência Obama têm sido marcados por uma popularidade baixa, que oscila, em média, entre os 44 e os 48 por cento.

Depois do estado de graça dos primeiros dois meses (valor máximo de 69 por cento), já houve períodos com níveis acima dos 50 e até próximos dos 60 (discurso de aceitação do Nobel da Paz; reacção conciliadora após a derrota dos democratas nas ‘midterms’ para o Congresso; eliminação de Bin Laden).

E também já houve fases em que a Taxa de Aprovação ameaçou baixar dos 40 (auge da batalha pela Reforma da Saúde; crise da dívida).

‘Opinion makers’ de diversas correntes lançaram, nos últimos meses, uma ideia comum: Barack Obama foi um melhor candidato do que tem sido como Presidente.

Descontando as diferenças que, na política contemporânea, temos que dar entre o momento de uma campanha e o momento da governação, a tese merece reflexão.

Um dado curioso, e que reforça a ideia de que as qualidades do Obama-candidato podem não estar em perigo mesmo que o Obama-Presidente continue em apuros, tem a ver com as perspectivas de angariação-recorde de fundos para a reeleição: tudo aponta para que a campanha Obama-2012 entre para a história como a primeira de um candidato político na América a arrecadar mais de mil milhões de dólares.

Um registo notável e que retira dúvidas quanto ao entusiasmo que Barack Obama será capaz de criar no caminho para Novembro de 2012 -- e que teve ontem à noite, no jantar de angariação de fundos em Chicago, que contou com as 'performances' de Jennifer Hudson e Herbie Hancock, mais uma clara demonstração.

Escolhas difíceis
O caminho das «hard choices» começou a ser apontado por Obama no início do segundo ano de mandato, quando do discurso do Estado da União de 27 de Janeiro de 2010, em que apontou a necessidade do ‘spending freeze’ (cortes orçamentais profundos que, na altura, poupavam áreas como a Saúde, a Segurança Social e a Defesa).

Dias depois de ter perdido a Supermaioria no Senado, a bola tinha deixado de estar do lado dos democratas – e a Reforma da Saúde parecia estar comprometida.

O «recentramento político» então gizado por Obama implicava um maior enfoque nos «consensos bipartidários» -- mesmo que, do outro lado, o Presidente continuasse a sentir hostilidade e muito pouca vontade para o compromisso.

Mas «compromisso» parece mesmo ser o nome do meio de Obama (e não Hussein…): apesar dos anticorpos, o registo bipartidário da sua Presidência tem credenciais como um enorme apoio na renovação do Tratado START; a Reforma Financeira; o clima de consenso na escolha de Leon Panetta para o Pentágono e David Petraues para a CIA; ou em momentos como a eliminação de Bin Laden ou o atentado de Tucson (com o peso simbólico de a congressista democrata do Arizona, Gabrielle Giffords, ter participado na votação final do acordo que aprovou o aumento do tecto da dívida).

Se o lado «federador» e «conciliador» do Presidente confirma a sua promessa de tentar «reconciliar a América», o que está a falhar para que essa reconciliação seja efectiva tem muito a ver com a radicalização do campo político oposto – um tema que irei explorar em próximos textos, que serão dedicados às primárias do Partido Republicano.

O legado
No auge da batalha pelo aumento do tecto da dívida, Obama lamentava-se (detectando a quase bizarria de uma auto-limitação de quem nem sequer tem dificuldade em aceder ao financiamento), que «a classe política não acompanhe o nível AAA da dívida americana…»

Obrigado a fazer cortes profundos em todas as áreas, nos próximos anos, Barack terá que cumprir uma nova missão aparentemente impossível: desafiar o tal ‘momento Sputnik desta geração’ de que falava no State of The Union de 2011, inspirando a América a continuar a ser líder na inovação e na investigação científica – mesmo que competindo com novas potências como a Índia e a China, que crescem desmesuradamente e não têm as restrições orçamentais auto-impostas pelo Congresso americano.

Criar um legado mesmo em tempos tão difíceis como este – eis o grande desafio de um Presidente com características inspiradoras, mas, por enquanto, condenado a gerir danos económicos e a afastar fantasmas de incumprimento.

O ‘yes we can’ precisa, cada vez mais, do aditamento criado pelo próprio Obama, em resposta a Jon Stewart no ‘Daily Show’: ‘…but we need more time’.

A 15 meses das presidenciais de Novembro de 2012, pedir «mais tempo» talvez implique um segundo mandato para que se possa fazer um julgamento real sobre se valeu a pena, ou não, acreditar na «mudança».

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Histórias da Casa Branca: O sexto Presidente a festejar os 50


Barack Obama faz, esta quinta-feira, 50 anos. Um acontecimento raro para um Presidente americano em funções. Quando tomou posse, aos 47, ainda mantinha a aparência de «jovem senador». Dois anos e sete meses depois, já tem muitos cabelos brancos...


O sexto Presidente a festejar os 50

Por Germano Almeida


A 4 de Agosto de 1961, nascia no Hospital Ginecológico Kapiolani de Honolulu, no Havai, Barack Obama Hussein Obama II, filho de Ann Dunham, antropóloga branca do Kansas, e de Barack Hussein Obama I, economista queniano natural de Kogelo, da tribo Luo, que ganhou uma bolsa para estudar na América.

O Presidente dos EUA completa, por isso, 50 anos de idade, nesta quinta-feira. O momento político e económico não o fará ter grandes motivos para festejos, mas, trata-se, mesmo assim, de uma data digna de realce, até pela raridade do acontecimento.

Em mais de 220 anos de História -- desde a tomada de posse de George Washington, em 1789 -- apenas cinco Presidentes americanos completaram 50 anos em pleno exercício de funções na Casa Branca: James Polk, Ulysses Grant, Grover Cleveland, Theodore Roosevelt e Bill Clinton.

Barack Obama será, a partir desta quinta-feira, o sexto a entrar num restrito lote que se desvia, em termos estatísticos, de uma média de idades dos Presidentes americanos que aponta mais para os ‘mid fifties’ (25 dos 44 Presidentes americanos tinham entre 50 e 59 anos de idade quando exerceram o cargo).

Para quem gosta destas curiosidades de almanaque, diga-se que a média de idade de um Presidente americano, na sua tomada de posse, é, neste momento, de 54 anos e 11 meses.

Quatro bons exemplos de Presidentes nessa média são Herbert Hoover, Lyndon Johnson, Rutherford Hayes e George W. Bush (os últimos dois tomaram posse, precisamente, com 54 anos).

James Garfield (tomou posse aos 49, em Março de 1881) e John F. Kennedy (Presidente aos 43 anos, investidura em 1961) teriam também entrado para o grupo dos que festejaram os 50 ‘in office’, se não tivessem sido, respectivamente, o segundo e o quarto Presidentes da história americana a serem assassinados -- Abraham Lincoln foi o primeiro, William McKinley o terceiro (Garfield estava a poucos meses de completar 50 quando foi morto; no caso de JFK, teria, ainda, que obter a reeleição em 1964, se não tivesse ocorrido o atentado em Dallas).

O quarto mais novo a ser eleito
Dois nomes podem ser apontados como o «Presidente mais jovem da História da América»: Theodore Roosevelt e John Kennedy. Depende do critério que quisermos usar. Kennedy foi o Presidente eleito mais novo: tinha apenas 43 anos e 246 dias quando tomou posse.

Mas Theodore Roosevelt mantém o título de Presidente mais jovem de sempre em funções: tomou posse a 14 de Setembro de 1901, com 42 anos e 322 dias, não por ter sido eleito, mas na sequência do assassinato de William McKinley.

Quando deixou a Casa Branca, a 4 de Março de 1909, tinha completado 50 anos apenas cinco meses antes, a 27 de Outubro de 1908.


Theodore Roosevelt foi, aos 42 anos, o mais jovem Presidente da história americana, mas só foi eleito quatro anos mais tarde

Investido como 44.º Presidente dos EUA aos 47 anos, Barack Obama foi o quarto Presidente eleito mais jovem da história da América. Só JFK (43 anos), Bill Clinton (46) e Ulysses Grant (46) eram mais novos no momento da primeira eleição.

No pólo oposto do bilhete de identidade, Ronald Reagan mantém o título de Presidente mais velho em funções: foi eleito pela primeira vez a duas semanas de completar 70 anos e reeleito quase com 74 anos. John McCain tentou bater esse recorde na eleição de 2008: ainda obteve a nomeação presidencial republicana, mas perdeu a eleição geral para Barack Obama.

Presente envenenado?
Há poucos dias, no auge da batalha em Washington pelo aumento do tecto da dívida norte-americana, Barack desabafou que apenas queria como prenda de aniversário para os seus 50 anos «que até lá fosse afastado o fantasma do ‘default’».

O perigo do incumprimento não voltará, de facto, a existir no primeiro mandato de Obama – mas a solução encontrada pode bem ter sido um presente envenenado para o Presidente.

Para poder aumentar o tecto da dívida (algo que aconteceu 39 vezes desde 1980 e que vários dos seus antecessores praticaram por diversas vezes), Barack foi forçado a abdicar da sua agenda económica, que passava pelo aumento de impostos para as classes com maiores rendimentos e para as grandes empresas.

A maioria republicana da Câmara dos Representantes impôs a palavra de ordem («cortes nas despesas») e o Presidente não foi capaz de travar o radicalismo da ala Tea Party.

Com um quadro muito hostil no Congresso, nem a maioria democrata no Senado parece esbater o ambiente malsão que se vive em Washington.

Os próximos meses são decisivos para se perceber a rota de reeleição de Barack Obama. Com as primárias republicanas a entrarem numa fase de maior definição, é fundamental perceber como pretende o Presidente montar a sua estratégia para Novembro de 2012.

Trunfos e problemas
Há trunfos importantes que Barack sabe que pode lançar: o cumprimento dos prazos de retirada no Iraque e no Afeganistão; a operação que eliminou Osama Bin Laden e a redução clara da ameaça terrorista da Al Qaeda; a capacidade de estabelecer pontes políticas em temas como a Reforma da Saúde, no prolongamento do subsídio de desemprego que garantiu junto da maioria republicana no Congresso (a troco da renovação das ‘Bush Tax Cuts’); a resposta dada em 2009, nos primeiros meses da Presidência Obama, à crise financeira com a aprovação de um forte Plano de Recuperação e Reinvestimento; uma certa condição de pêndulo de um quadro político muito polarizado entre o radicalismo da ala Direita e as exigências das bases do Partido Democrata; o novo Tratado START e outros temas da frente externa.

Mas no capítulo económico, certamente aquele que vai decidir a eleição de 2012, a contaminação do Tea Party para o acordo encontrado para o tecto da dívida coloca Obama entre a espada e a parede: o Presidente será forçado a assumir cortes dolorosos em programas sociais e não poderá recorrer aos instrumentos que sempre defendeu para concretizar a recuperação económica.

O caminho dos cortes na despesa já tinha sido iniciado por Obama desde o discurso do State of The Union de Janeiro de 2010, com o ‘spending freeze’. Só que a extensão dos cortes a sectores como a Saúde e a Segurança Social vai criar ainda mais dificuldades ao plano de recuperação.

Mas nem as nuvens negras que insistem em pairar sobre Washington são motivo suficiente para deixarmos de desejar… ‘Happy Birthday, Mr. President’!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Histórias da Casa Branca: O Armagedão pode esperar


Barack Obama e Michelle Bachmann: dois estilos opostos, dois mundos diferentes. Ambos representam faces reais da América que entram em choque em processos como a negociação do tecto da dívida. Desta vez, o radicalismo da Direita americana, vertido no Tea Party, levou a melhor


O Armagedão pode esperar

Por Germano Almeida


Ainda não foi desta que chegou o dia do «Armagedão» financeiro. Mas pode ter sido apenas o adiar de um problema gigantesco que os Estados Unidos terão que ser capazes de resolver – independentemente da cor política de quem ocupa o poder em Washington.

O acordo de última hora, aprovado na Câmara dos Representantes e confirmado pelo Senado, autoriza o Governo norte-americano a aumentar o tecto da dívida em mais 2,4 biliões de dólares (que irão juntar-se aos 14,3 biliões já atingidos pelos EUA desde 16 de Maio passado). Em compensação, a Administração norte-americana terá que proceder a cortes profundos na despesa em vários sectores, incluindo a Saúde, a Segurança Social e a Defesa.

Evitou-se o cenário de catástrofe: sem acordo, o dia de hoje (2 de Agosto de 2011) teria entrado para a história como o momento em que a maior potência do Mundo deixara de ser capaz de cumprir os seus compromissos.

No contexto de crise económica nos EUA e na Europa, e com o ambiente de nervosismo dos mercados, já havia quem apontasse o ‘default’ americano como o símbolo do declínio do eixo atlântico.

Mas a solução encontrada acaba por mostrar sérias perdas tanto nas ambições de Obama (que sempre defendeu, neste processo, o aumento de impostos às classes altas e às grandes empresas, a fim de aumentar as receitas, para reduzir o impacto dos cortes sociais), como também dos líderes republicanos no Congresso – que perderam o controlo do processo para a minoria radical do Tea Party.

A batalha pelo aumento do tecto da dívida fez subir o tom da conflitualidade política em Washington a níveis que começam a levantar questões sobre a viabilidade do sistema político norte-americano. E voltou a lançar dúvidas sobre a real capacidade de Obama conseguir cumprir a sua agenda política, num quadro de tamanha hostilidade.

Guerra Civil em Washington?
Jorge Almeida Fernandes, no P2, chamou-lhe ‘a guerra civil sem armas’: «Cento e cinquenta anos após o começo da Guerra Civil americana, eclodiu em Washington uma outra ‘guerra’ – esta sem armas – que ameaça lançar os Estados Unidos na ‘insolvência técnica’. É uma guerra dentro de outra guerra: o conflito entre republicanos e democratas é dobrado pelo confronto que começou a dilacerar os republicanos. Tão grave como desafiar o ‘default’, é a mensagem enviada aos americanos e ao mundo: a superpotência poderá tornar-se ingovernável».

Obama terá que ser apontado como um dos derrotados da peleja: não fez valer a sua bandeira de aumento de impostos para os privilegiados – e terá que aplicar, nos meses que restam do seu primeiro mandato, cortes dolorosos em programas sociais, em pleno processo de recuperação económica.


John Boehner, speaker do Congresso (na foto), e o senador Mitch McConnell têm um objectivo: evitar o segundo mandato de Barack Obama

Mas John Boehner e Mitch McConnell, speaker do Congresso e líder da minoria republicana no Senado, também não podem, propriamente, cantar vitória: ficam na fotografia como os principais responsáveis por terem colocado a América a um dia da catástrofe financeira e não foram capazes de impedir que o radicalismo dos congressistas do Tea Party contaminasse as negociações.

A perversa vitória do Tea Party
Feitas as contas a perdas e ganhos entre os dois pêndulos do sistema político norte-americano, a conclusão é tão clara como inquietante: o regime bipartidário no qual assentou o clima de «consensos alargados» nos EUA, nas últimas décadas largas, está em risco.

Por culpa, certamente, da incapacidade de democratas e republicanos em assegurar entendimentos básicos para que o sistema funcione sem perturbação. Mas, sobretudo, pela manifesta impotência do ‘establishment’ dos dois principais partidos em travar o radicalismo irresponsável do Tea Party.

O termo «Tea Party» foi-se tornando tão presente na linguagem mediática da política norte-americana que, muitas vezes, a sua definição não passa com rigor. Na verdade, não se trata de um partido autónomo, com existência independente e disseminação eleitoral por todos os estados da América.

Do que, realmente, se fala quando se fala de «Tea Party» tem a ver com os movimentos da Direita radical americana que sempre existiram, mas que foram ganhando mais espaço mediático após a eleição de Barack Obama, e sobretudo durante a campanha das intercalares de Novembro do ano passado, como reacção dos sectores ultraconservadores americanos ao que consideram ser a «Administração mais à esquerda das últimas décadas na América».

Esses argumentos colhem facilmente numa fatia significativa do eleitorado americano -- e ganharam legitimidade política após as 'midterms', com a eleição de vários congressistas apoiados pelo Tea Party, num perigoso processo de «contaminação» do Partido Republicano.

Mesmo tendo sido associados, nestes últimos dois anos, a coisas disparatadas como a polémica (toda ela baseada em mentiras e delírios) de que Obama não teria nascido na América, a verdade é que há duas ou três bandeiras dos movimentos «Tea Party» que são muito difíceis de desmontar: o respeito cego «pela Constituição»; a defesa dos «valores americanos», que os correligionários do Tea Party garantem estar em perigo com um Presidente como Obama; o ataque, à exaustão, ao «despesismo» de programas federais como a Reforma da Saúde, defendendo cortes radicais nos impostos.

O clima de crise económica, particularmente forte em estados do Midwest que apoiaram Obama em 2008, mas que se mostram hoje muito críticos com as políticas económicas desta Administração, tem servido de adubo aos argumentos do Tea Party.

«Responsável» ou «fraco»?
Depois de semanas de impasses forçados e de muita irresponsabilidade da ala direita do Partido Republicano, o ‘last minute deal’ (aprovado por 269-161 na Câmara dos Representantes e por 74-26 no Senado) salvou a face do primeiro mandato de Obama – mesmo tendo sido a poucos metros de cair na ribanceira, é já certo que Barack não entrará para a história por ser o primeiro Presidente dos EUA a entrar em incumprimento.

Mas as consequências políticas da acção do Presidente neste processo estão ainda por detalhar na sua verdadeira extensão.

A impressão final pode ter sido a de que Obama voltou a ter uma «atitude responsável», mantendo, até ao limite, as vias do diálogo, mesmo quando, do outro lado, recebia sinais de que estavam a fazer tudo para liquidar a sua Presidência -- ainda que isso levasse a América ao ‘default’.

A faceta «conciliadora» e «mediadora» do Presidente teve bons resultados em batalhas anteriores, como a Reforma da Saúde ou a Reforma Financeira. Mas, desta vez, o clima de guerrilha chegou longe demais.

Michelle Bachmann, congressista do Minnesota que deverá ter o apoio do Tea Party para as presidenciais de 2012, repetiu a ideia à exaustão, nos últimos dias: «Esta presidência é um fracasso. Obama é um falhado».

Se já não é muito de admirar que a linguagem dos líderes da Direita radical esteja a este nível, o que pode ser bem mais preocupante para as contas eleitorais de Obama são as críticas que lhe foram dirigidas pela ala esquerda do Partido Democrata.

Os «liberais» esperavam «mais firmeza» por parte do Presidente, na imposição do aumento de impostos aos ricos e às «big corporations».

Encostado à parede pela maioria republicana no Congresso, Obama não tinha alternativa: abdicou de uma boa parte da sua agenda económica, em nome do cumprimento de pagamentos dos «cheques aos idosos, aos mais pobres e aos veteranos de guerra».

Enquanto, nos corredores de Washington, os políticos vão adiando o monumental problema da dívida, a verdade é que a América conseguirá continuar a cumprir os seus mais diversos compromissos num prazo que se estende para lá de Novembro de 2012.

O dia do «Armagedão» pode até nem estar longe para os EUA – mas já não vai acontecer durante o primeiro mandato de Barack Obama.

Os profetas da desgraça vão ter que ser um pouco mais pacientes.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Observatório 2012 (XVI): Bachmann aproxima-se de Romney


Mitt Romney continua a liderar a corrida à nomeação republicana, mas a congressista Michelle Bachmann está a revelar-se a grande surpresa desta fase de arranque e destaca-se no segundo lugar.

Mesmo sem terem entrado ainda oficialmente na corrida, a ex-governadora Sarah Palin e o governador do Texas, Rick Perry, estão em terceiro e quarto lugares, respectivamente.

SONDAGEM QUINNIPIAC

Mitt Romney 25
Michelle Bachmann 14

Sarah Palin 12
Rick Perry 10
Herman Cain 6
Newt Gingrich 5
Ron Paul 5
Tim Pawlenty 3
Rick Santorum 1
Jon Huntsman 1

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Histórias da Casa Branca: Sair do Afeganistão e colocar o foco nos EUA


Em Dezembro de 2009, Obama anunciou, em West Point, o reforço de 30 mil efectivos para o Afeganistão e prometera o início da retirada para Julho de 2011. Vai cumprir


Sair do Afeganistão e colocar o foco nos EUA

Por Germano Almeida


Em Dezembro de 2009, Barack Obama fez na Academia de West Point um dos discursos mais difíceis da primeira metade do seu mandato presidencial: perante uma plateia repleta de militares, anunciou o reforço de 30 mil tropas norte-americanas no Afeganistão, integrando essa opção impopular na sua visão de que, depois do que aconteceu na América a 11 de Setembro de 2001, a frente afegã era uma «guerra de necessidade», em contraponto com a «guerra estúpida» que o seu antecessor, W. Bush, inventara no Iraque.

Também em West Point, há ano e meio, num golpe arriscado mas muito ao estilo challenger de Barack, o Presidente dos EUA comprometera-se com um calendário de retirada, no mesmo discurso em que anunciava a ‘surge’: a partir de Julho de 2011, os Estados Unidos começariam a retirar de Cabul.

Desde esse discurso definidor para se compreender a estratégia de Obama, neste difícil equilíbrio entre aguentar a situação no terreno e assegurar uma retirada digna, a visão da «contra-insurreição» (que o general David Petraeus começara a implementar na fase final da Administração Bush e que o general Stanley McChrystal aplicou com mais condições a partir de 2010) passou a ser ainda mais dominante.

O tempo foi passando e o calendário está a poucos dias de chegar a essa meta: Julho de 2011. Apesar de algumas contrariedades -- como a demissão de McChrystal, que obrigou Obama a oferecer a Petraeus um regresso ao terreno, mais tarde premiado com a direcção da CIA, que o general irá chefiar em breve – a verdade é que Obama conseguiu cumprir mais uma promessa-chave da sua presidência.

Numa declaração de dez minutos na Casa Branca, o Presidente anunciou um ambicioso plano de retirada, que se iniciará com o regresso aos EUA de dez mil efectivos a partir do próximo mês.

Até ao Verão de 2012, garante Obama, 33 mil soldados norte-americanos que, neste momento, colocam as suas vidas em risco em solo afegão, estarão de regresso a casa, repondo, assim, a ‘surge’ que se vira obrigado a fazer em Dezembro de 2009. «A isto se chama mostrar resultados e cumprir objectivos», observa Gloria Borger, analista política da CNN.

«Até 2014», lançou o Presidente no discurso desta noite, «todos os soldados norte-americanos que agora se encontram no Afeganistão vão estar de regresso ao seu país. E isso só será possível graças ao seu esforço, ao seu empenho e à ajuda dos nossos aliados».

‘Nation building at home’
Este anúncio surge numa altura em que as dificuldades internas de Obama vão aumentando. Depois do ‘boost’ de popularidade permitido pelo sucesso da operação de eliminação de Bin Laden – que levou Obama aos 60 por cento de aprovação, um dos melhores valores desde que é Presidente – o barómetro presidencial está outra vez abaixo dos 50 por cento.

Nos últimos dias, aliás, até baixou à casa dos 43/45 por cento, números que começam a ser preocupantes para a estratégia de reeleição – sobretudo quando se começa a desenhar a tendência para que os republicanos venham a escolher Mitt Romney como nomeado presidencial para 2012. Mais uma vez, a explicação para esta queda de popularidade tem dois nomes: crise económica.

Não foi, por isso, de admirar que Obama tenha lançado as suas atenções para os problemas internos: «É tempo de pensarmos no conceito de ‘nation building’ em casa. É tempo de nos focarmos na América».

O caminho da retirada de Cabul, apontado esta noite por Obama, está sintonizado com a opinião pública: as sondagens dizem que entre 60 e 80 por cento dos americanos concordam com o regresso das tropas norte-americanas do cenário afegão, valores muito superiores aos que existiam há um ano.

De ‘combate’ para ‘apoio’
Mas não se pense que este foi apenas um golpe a pensar na popularidade. Vários líderes republicanos, entre os quais o recém-candidato presidencial Jon Huntsman, concordam com uma «retirada progressiva» do Afeganistão.

Os custos astronómicos de uma guerra na qual os EUA já estão metidos há quase uma década pesam no contribuinte americano e nas contas de um Congresso que pretende, cada vez mais, dar prioridade aos cortes orçamentais.

Obama recordou que, depois da morte de Bin Laden, «a Al Qaeda perdeu força e ficou sem o seu único líder real». E lançou o repto: «Sempre dissemos que a América não vai ficar para sempre no Afeganistão. Iremos retirar as nossas tropas à medida que os afegãos consigam defender-se dos perigos que ainda os ameaçam. A nossa missão mudará de combate para apoio».

A ano e meio de tentar a reeleição, o conceito chave para a Presidência Obama será, cada vez mais, «recuperação económica».

Barack, o pragmático, está de regresso.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Observatório 2012 (XV): Jon Huntsman é candidato



Jon Huntsman, 51 anos, ex-governador do Utah e embaixador dos Estados Unidos na China até Abril passado (nomeado por Barack Obama), anunciou esta terça-feira, em New Jersey, que é candidato à presidência dos EUA.

Huntsman junta-se, assim, a Mitt Romney, Michelle Bachmann, Tim Pawlenty, Herman Cain, Ron Paul, Newt Gingrich e Rick Santorum.

Com Mitt Romney como claro líder da corrida nesta altura, Huntsman tentará aproveitar a falta de capacidade mobilizadora de Pawlenty para se assumir como principal adversário do ex-governador do Massachussets na disputa do eleitorado mais moderado do Partido Republicano.

A fraca notoriedade nacional de Huntsman vai ser, nos primeiros tempos, um problema para o mais recente candidato às primárias republicanas. Mas as características de Jon podem torná-lo uma das maiores ameaças ao favoritismo de Romney.

É mórmon, como Romney; é um conservador moderado, como Romney. Mas tem um currículo internacional muito superior ao de Mitt: foi embaixador dos EUA em Singapura durante os anos Bush pai e embaixador na China na primeira fase da Administração Obama.

À Direita, Michelle Bachmann e Newt Gingrich poderão contar, em breve, com a concorrência de Sarah Palin ou, eventualmente, do governador do Texas, Rick Perry -- um conservador fiscal que tem recebido cada vez mais pressões para avançar com uma candidatura.

Rudy Giuliani mantém-se bem cotado nas sondagens, mas não deverá avançar. Donald Trump, Mike Huckabee, Mitch Daniels, Chris Christie, Marco Rubio e Paul Ryan já garantiram que não vão mesmo concorrer.

Tudo ainda muito confuso, mas com Romney a manter-se como favorito.

SONDAGEM RASMUSSEN REPORT:

-- Mitt Romney 33
-- Michelle Bachmann 19

-- Sarah Palin 10
-- Rudy Giuliani 10
-- Herman Cain 10
-- Newt Gingrich 9
-- Ron Paul 7
-- Rick Perry 6
-- Tim Pawlenty 6
-- Rick Santorum 6
-- Jon Huntsman 2

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Histórias da Casa Branca: As palavras mágicas para a nomeação


Michelle Bachmann marca pontos à Direita (enquanto Sarah Palin não se decide), mas Mitt Romney é, cada vez mais, o favorito à nomeação republicana

As palavras mágicas para a nomeação

Por Germano Almeida


Não é por acaso que se costuma dizer que a disputa presidencial na América é a mais louca (e mais longa…) corrida do Mundo.

Mesmo em ciclo de recandidatura de um Presidente em funções, a eleição de 2012 volta a prometer ser uma daquelas maratonas bem ao estilo americano.

Agora que a corrida pela nomeação republicana está a aquecer, depois de meses de inesperado impasse (agravado pela falta de qualidade dos candidatos que se apresentaram a concurso), os focos dos dois principais campos políticos do sistema americano estão, finalmente, virados para o que poderá acontecer até Novembro de 2012.

Mais do que analisar as potencialidades dos candidatos com hipóteses reais de obter a nomeação republicana, importa perceber quais serão as palavras mágicas para se definir a escolha.

E isso dependerá muito das condições do momento – ou não fosse a política um jogo entre «o homem e as suas circunstâncias».

Em 2008, por exemplo, as palavras mágicas para a nomeação democrata foram todas agarradas por Obama: ‘change’, ‘reconciliation’ e, claro, aquelas três palavrinhas que, juntas, se transformaram num slogan imbatível: ‘yes we can’.

Para a corrida de 2012, só agora estão a lançar-se os primeiros ensaios – e, por enquanto, há mais dúvidas do que certezas.

Como escrevi em textos anteriores nesta rubrica, se os dados que prevalecerem forem os mais previsíveis, Mitt Romney é o claro favorito a obter a nomeação republicana. As sondagens pós-debate no New Hampshire comprovam essa tendência, com Mitt a atingir já a casa dos 30 por cento, sendo que nenhum dos seus rivais se aproxima, sequer, dos 20 por cento.

Mitt tem a experiência de uma campanha anterior (e isso, na política americana, tem o seu peso). Tem uma máquina bem montada e «oleada» por muito dinheiro angariado da jornada de 2008 e dos anos que se seguiram -- é, de longe, o candidato republicano com mais dinheiro averbado, facto que, não sendo decisivo (basta recordar o exemplo de John McCain, que chegou a estar perto da desistência em 2008, por falta de financiamento, e acabou por obter a nomeação), poderá ter mais relevância desta vez, se nos lembrarmos que, do lado democrata, Barack Obama espera atingir a soma astronómica de mil milhões de dólares em fundos angariados para a sua reeleição.

Romney consegue uma conjugação ideológica que o coloca na zona moderada do Partido Republicano, mas sem hostilizar a ala mais religiosa. Governou um dos estados mais liberais da América (o Massachussets) e tem um sólido currículo no mundo empresarial -- dados que podem ter o seu peso se as palavras mágicas na eleição geral forem (como é provável que venham a ser) «economia» e «recuperação».

Tem, no entanto, duas questões que lhe podem causar desconforto: é mórmon, religião vista com alguma desconfiança por uma fatia importante do eleitorado americano (estudos feitos nas primárias de 2008 revelaram esse problema para Mitt) e aprovou, enquanto governador do Massachussets, uma reforma da Saúde muito semelhante ao ObamaCare, que agora critica.

Serão contrariedades a mais para que Romney se consiga assumir como a escolha inevitável dos republicanos? Ainda é cedo para responder.

Por muito que os dados do momento o possam apontar como claro favorito, nunca nos podemos esquecer que as corridas presidenciais na América são férteis em surpresas – e assumem uma dinâmica imprevisível, à medida que se vão sucedendo as votações nos diferentes estados.

As cartas escondidas
Quem viu o debate no New Hampshire pode ter achado que já seria certo que o adversário de Obama em 2012 sairá de um daqueles sete candidatos (Romney, Pawlenty, Bachmann, Cain, Gingrich, Santorum e Paul).

Já poderá parecer um leque suficientemente alargado para os delegados republicanos escolherem, mas há cartas escondidas que ainda podem surgir deste estranho baralho.

Nos textos anteriores apontei algumas dessas cartas que podem surgir de surpresa: Sarah Palin, Rudy Giuliani, Jon Huntsman, Marco Rubio, Chris Christie ou Paul Ryan.

Huntsman deixará, em breve, de ser uma «carta escondida»: o ex-governador do Utah, e embaixador dos EUA na China até Abril passado, anunciará oficialmente, na próxima terça-feira que pretende concorrer contra Obama, o Presidente que o nomeou para Pequim.


Jon Huntsman anuncia terça-feira a sua candidatura e vai tentar posicionar-se como a alternativa a Romney na luta pela nomeação

Será que Sarah Palin se prepara para tirar o protagonismo da ala radical a Michelle Bachmann, apesar da boa prestação da congressista do Minnesota no debate do New Hampshire?

A dúvida ocupa os espaços de discussão da Direita americana mas não me parece que seja decisiva para a nomeação: o vencedor da corrida republicana não virá da ala apoiada pelo Tea Party.

A questão é que candidatas com as características de Sarah Palin ou Michelle Bachmann vão permitir uma grande mobilização (outra palavra mágica desta corrida) do eleitorado conservador, compensando assim uma certa ideia, que vigorou até há poucas semanas, de que «o próximo candidato republicano será para perder», um dado que estará a fazer adiar a decisão de nomes apontados como futuras estrelas do GOP, como Chris Christie, Marco Rubio, Paul Ryan ou mesmo Bobby Jindal.

Christie já garantiu que não vai mesmo avançar. Rubio, Ryan e, eventualmente, Jindal também devem guardar-se para 2016.

E ainda há Rick Perry: o governador do Texas nunca afastou completamente uma candidatura e estará a apalpar terreno. Já foi líder dos governadores republicanos, estrutura importante para dominar o establishment do partido. E a verdade é que há muitos sectores do GOP que não se sentem mobilizados com as duas candidaturas «do sistema» que estão no terreno: Mitt Romney e Tim Pawlenty.


Rick Perry, governador do Texas, pode ser a «carta escondida» das primárias republicanas para 2012: quase ninguém está a contar com ele, mas se avançar altera, por completo, os dados da corrida

Se Rick Perry, um «conservador fiscal» de créditos firmados, decidir avançar, a narrativa destas primárias pode mudar completamente. De todas as possíveis «cartas escondidas», Rick é, sem dúvida, o trunfo mais poderoso.

Outra vez o Iowa
Pode parecer uma banalidade dizer-se que os estados de arranque são muito importantes, mas desta vez vão mesmo ser cruciais para se perceber a dinâmica destas primárias.

E o Iowa, estado chave para a nomeação de Obama nas primárias democratas de 2008, pode vir a ser a maior de todas as «palavras mágicas» desta corrida.

Romney tem aí a sua prova de fogo: se se sair bem no caucus do Iowa terá caminho aberto para fazer sempre na liderança o seu percurso até à nomeação, uma vez que terá nas etapas seguintes vitórias quase garantidas: New Hampshire, Michigan (seu estado natal e onde o seu pai, George Romney, foi governador muitos anos), Nevada e, possivelmente, também Carolina do Sul.

Michelle Bachmann nasceu no Iowa e, apesar de representar o Minnesota, estado onde vive desde pequena, tem usado o local de nascimento como trunfo para fazer campanha naquele estado do Midwest.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Histórias da Casa Branca: Desesperadamente à procura do anti-Obama


Da esquerda para a direita: Rick Santorum, Michelle Bachmann, Newt Gingrich, Mitt Romney, Ron Paul, Tim Pawlenty e Herman Cain: os sete participantes do debate no New Hampshire podem vir a ter ainda mais concorrência na luta pela nomeação presidencial republicana. Tudo está ainda em aberto e a ordem é encontrar o candidato com melhores condições de impedir a reeleição de Obama


Desesperadamente à procura do anti-Obama

Por Germano Almeida


O debate do New Hampshire, o segundo das pré-primárias republicanas para 2012, já nos mostrou um desenho mais claro sobre como será a luta pela nomeação presidencial do partido do elefante. Mas ainda esteve longe de revelar o essencial.

Mitt Romney confirmou a ideia de ser, pelo menos para já, o ‘frontrunner’. Só que a chave desta corrida estará na forma como os republicanos poderão conseguir encontrar a estratégia que lhes permita fabricar até ao Verão do próximo ano uma espécie de… «anti-Obama».

Foram a jogo sete candidatos: o antigo governador do Massachussets e terceiro classificado nas primárias de 2008, Mitt Romney; o ex-governador do Minnesota, Tim Pawlenty; o antigo ‘speaker’ do Congresso, Newt Gingrich; o antigo senador pela Pensilvânia, Rick Santorum; a congressista do Minnesota e preferida dos movimentos Tea Party, Michelle Bachmann; o responsável pela Reserva Federal de Kansas City, Herman Cain; e, ainda, o médico e congressista do Texas, Ron Paul, que tenta pela quinta vez uma candidatura «impossível» à Casa Branca, dado que representa uma facção ultra-minoritária no Partido Republicano.

Recusaram os convites da organização outros cinco nomes, embora por razões diferentes. Mitch Daniels, governador do Indiana, e o multimilionário Donald Trump já anunciaram que não vão avançar para uma corrida presidencial. Sarah Palin, ex-governadora do Alasca e a mais popular figura da Direita americana, Rudy Giuliani (antigo mayor de Nova Iorque e «candidato desastre» das primárias republicanas de 2008) e Jon Huntsman, antigo governador do Utah e embaixador dos EUA na China até Abril passado, também optaram por passar esta oportunidade de entrar já em jogo, por não terem ainda revelado publicamente se tencionam concorrer.

No caso de Giuliani, até há muito pouco tempo havia sinais que indicavam uma resposta negativa, mas as sondagens dos últimos dias podem tê-lo feito pensar melhor: é que, mesmo com Sarah Palin em jogo, Rudy surge em terceiro lugar, com 12 ou 13 por cento.
Sem Palin na corrida, aparece como a alternativa mais forte a Mitt Romney, podendo chegar aos 16 ou 17 por cento – números que não devem ser negligenciados, se atendermos ao facto de que o antigo presidente da Câmara de NY nem sequer está no terreno.

O mesmo não se poderá dizer de Sarah Palin: embora ainda não tenha dito uma palavra sobre se vai ou não ser candidata à presidência dos EUA, as suas acções indiciam, pelo menos, essa intenção. Palin continua a ser a figura mais mediática do campo republicano e a sua estratégia poderá ser a de esperar para ver.

Para todos os efeitos, a falta de entusiasmo em torno do actual quadro de candidatos permitirá a Sarah ficar, literalmente, à sombra durante o Verão. E, havendo condições para tal, Palin poderia ser o factor-surpresa do início do Outono, quando faltar precisamente um ano para a eleição geral…

Romney confirma a dianteira
Todas as sondagens têm apontado Mitt Romney com um avanço ainda não muito claro, mas já significativo. Não foi de admirar, por isso, que o debate do New Hampshire tenha colocado o
ex-governador do Massachussets na berlinda.

Nesta fase ainda muito inicial, os candidatos optaram por não se atacar mutuamente, preferindo apontar baterias para o «inimigo» comum: Barack Obama.
Romney, que é apontado como o mais forte candidato contra Obama num eventual cenário de crise económica agravada até 2012, tem um ponto fraco: o de ter aprovado no Massachussets uma reforma da Saúde muito parecida com o ObamaCare.

O tema tem sido alvo de críticas, sobretudo por parte de Tim Pawlenty -- que tenta disputar com Romney a zona moderada do Partido Republicano -- mas, estranhamente, Tim optou por recuar nessa estratégia no debate de ontem, esclarecendo que quando criticou a Reforma da Saúde apena se referia «ao Presidente».

Bachmann ataca pela Direita
Como era de prever, Michelle Bachmann aproveitou a ausência de Sarah Palin (e a completa desorientação estratégica de Newt Gingrich) para assumir o território da Direita.
Apresentou-se como solução para «a América real», a América que «está desiludida com Obama e quer voltar a ter um Presidente que ponha a economia deste país a funcionar».

Já se sabia que este tipo de chavões são muito mobilizadores para muitos sectores do Partido Republicano. O que ainda não se sabe é se será mesmo esse o discurso dominante ou se o GOP saberá encontrar uma estratégia mais moderada para defrontar Obama em Novembro de 2012.

Até ao fim do Verão, o campo republicano deverá saber encontrar as principais respostas para a grande dúvida: que registo deverá ter o «anti-Obama» por quem a Direita americana tanto anseia?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Histórias da Casa Branca: Mitt Romney ou uma surpresa?


Os dados para a nomeação republicana parecem estar destinados a favorecer Mitt Romney: está à frente nas sondagens, tem dinheiro para a campanha e posicionou-se nas primárias de 2008. Mas há vários sectores do Partido Republicano que não se entusiasmam particularmente com esta solução para defrontar Obama. Haverá uma carta escondida na manga para tramar Mitt?


Mitt Romney ou uma surpresa?

Por Germano Almeida


Será Mitt Romney a maior ameaça à reeleição de Obama? Os dados mais racionais parecem mostrar isso, mas na política americana, nunca se sabe.

As últimas semanas revelaram, finalmente, alguma clarificação no campo republicano. Com Donald Trump fora da arena, e Sarah Palin estranhamente a adiar a sua declaração de candidatura (aparece cada vez mais como ‘pop star’ da Direita americana, mas… por que raio não entra oficialmente na corrida?), a batalha pela nomeação poderá vir a ser disputada por estes quatro nomes (seguindo a ordem de probabilidades): Mitt Romney, Tim Pawlenty, Jon Huntsman e, espantem-se, Michelle Bachmann.

Dentro deste quadro (um pouco bizarro, diga-se), o nome da congressista do Minnesotta só aparece porque as hipóteses mais fortes que poderiam aparecer do campo radical ou não avançaram ou se encontram irremediavelmente feridas: Sarah Palin, Mike Huckabee, Donald Trump e Newt Gingrich.

É certo que há mais pretendentes no terreno, mas nenhum deles tem hipóteses reais de obter a nomeação: Gary Johnson (pela despenalização das drogas) e Ron Paul (contra qualquer tipo de imposto ou instituição) apenas discutem a facção minoritária dos libertários; Rick Santorum é um antigo senador da Pensilvânia com boas credenciais conservadoras mas, simplesmente, não tem dimensão nacional para poder sonhar com a nomeação; Herman Cain tem feito uma campanha incisiva na sua esfera muito colada à direita, mas nunca conseguirá atingir os dois dígitos nas sondagens, porque se trata de um candidato fora do mainstream do Partido Republicano.

A meio ano do Iowa e do New Hampshire, começa a ser tempo de pôr as cartas na mesa. E há um dado cada vez mais claro: a máquina que domina o establishment do Partido Republicano não se sente à vontade com Mitt Romney como provável nomeado – caso contrário já lhe teria dado um apoio mais visível.

A questão é que quem poderia agarrar esse apoio também não avançou: Mitch Daniels, antigo governador do Indiana, Haley Barbour, ex-governador do Mississipi, ou mesmo Jeb Bush, irmão e filho de antigos Presidentes e um ex-governador da Florida ainda muito popular.

Pode Tim Pawlenty merecer a confiança do aparelho republicano? Pode – mas ainda terá que provar muito, durante os próximos meses. Por enquanto, o ex-governador do Minnesotta continua a acusar uma grande falta de notoriedade nas sondagens. E não se prevê que seja ele a ultrapassar Romney.

Então e essa surpresa?
Um olhar pela história recente dos nomeados presidenciais republicanos mostra-nos uma tendência relativamente consistente: quem tenta uma e outra vez, e fica em segundo ou terceiro lugar, tem fortes hipóteses de alcançar a nomeação mais tarde. Foi assim com Nixon. Foi assim com Reagan. Foi assim com Bush pai. E foi assim com John McCain.

Este trend histórico parecia favorecer a narrativa de Romney (que foi terceiro nas primárias republicanas de 2008) como nomeado mais natural dos republicanos para 2012 – sobretudo depois de se saber que Mike Huckabee (segundo em 2008) não irá a jogo.

Se a isso juntarmos o lado moderado de Mitt (um dos dois candidatos, a par de Tim Pawlenty, com mais hipóteses de disputar o centro a Obama na eleição geral) e a máquina eleitoral que ele já conseguiu montar (herdada da campanha de 2008 e aumentada nas últimas semanas com a liderança nas sondagens do campo republicano), tudo indicava no sentido de Romney ser o claro favorito à nomeação.

Só que Mitt não entusiasma por aí além as hostes republicanas. Ann Coulter, escritora e ‘opinion maker’ conservadora, resume assim esse sentimento: «Mitt Romney é o nomeado provável para este ano. E tem motivos para o ser. Agora: se acho que ele vai bater Obama na eleição geral? Acho que não. E eu quero nomear alguém que me dê esperanças de derrotar este Presidente…»

Ainda que uma análise fria dos dados não dê grande razão a Ann Coulter (Romney poderá ter algumas hipóteses de derrotar Obama, de acordo com as últimas sondagens, sobretudo se a situação económica se agravar no próximo ano), esta ideia não é isolada no ‘core’ republicano.

Algumas vozes tentam desafiar uma candidatura surpresa, de nomes que são apontados como futuros trunfos do GOP para 2016, ano mais apetecível dado que não implicará uma disputa com um Presidente em funções: Marco Rubio, 40 anos, senador pela Florida; Chris Christie, 48anos, governador da Nova Jérsia; ou Paul Ryan, 41 anos, congressista do Wisconsin – a tal ‘candidatura-surpresa’ sairia de um destes três nomes.

Nada provável, mas suficientemente mobilizador para quem acha pobre o leque de actuais candidatos.

O desastre Gingrich
Fora da luta real pela nomeação está, definitivamente, Newt Gingrich. Newt é um daqueles casos de puro desperdício político: pode não simpatizar-se com as ideias dele (eu não simpatizo mesmo nada…), mas é indiscutível que se trata de um tipo brilhante. Muito culto e com uma grande noção do que «é ser americano» -- algo fundamental para um candidato que pretenda ter hipóteses reais de nomeação presidencial por um dos partidos do sistema.

Mas Gingrich foi mostrando quase sempre, no seu já longo percurso político, uma estranha tendência para estragar tudo na hora da verdade.

Isso voltou a acontecer desta vez. Newt avançou numa altura em que o cenário republicano parecia ser favorável às suas aspirações: sem um claro ‘frontrunner’ a destacar-se na corrida, e com uma noção generalizada de que faltava «peso político» aos candidatos que já estavam no terreno, Gingrich bem tentou ser a solução para um «back to basics» ao conservadorismo que se reivindicou como «maioria moral» da América na década de 90 – mesmo quando na Casa Branca estava um Presidente como Bill Clinton.

Só que a vocação de Newt para o desastre voltou a sobrepor-se. Gingrich ignorou os conselhos dos seus principais estrategas e seguiu num cruzeiro de duas semanas com a mulher, numa altura em que a corrida republicana entra numa fase importante.

Resultado: viu todos os seus conselheiros e assessores demitirem-se, sendo que alguns deles trabalhavam com o antigo speaker do Congresso há vários anos.

Parece que estava escrito nas estrelas: Gingrich não será mesmo candidato presidencial pelo Partido Republicano. Não o foi em 2000, nem sequer tentou em 2008 – e não o será em 2012.

Ao contrário do que muitos conservadores gritavam há quatro anos, para tentar travar a Obamania (‘Run, Newt, run!’), parece que desta vez o que se canta é… ‘No, Newt, don’t do it!’

terça-feira, 24 de maio de 2011

Histórias da Casa Branca: O dilema dos republicanos


Mitt Romney, Michelle Bachmann e Tim Pawlenty: os antigos governadores podem protagonizar a luta final pela nomeação republicana; a congressista do Minnesota pode aproveitar as quedas de Donald Trump, Sarah Palin e Mike Huckabee para agarrar o apoio da ala dura


O dilema dos republicanos

Por Germano Almeida


A eliminação de Osama Bin Laden foi interpretada por muitos como o passaporte de Barack Obama para a reeleição.

Se é verdade que o sucesso da operação que levou à morte do mentor do 11 de Setembro ficará como uma das principais marcas do primeiro mandato do 44.º Presidente dos Estados Unidos da América, a resposta certa sobre as verdadeiras hipóteses de Obama assegurar a reeleição estará muito mais no que vier a acontecer no campo republicano.

A corrida às presidenciais norte-americanas é muito longa e imprevisível. A um ano e meio das eleições gerais, achar que a subida de popularidade obtida por Obama no pós-operação que levou à morte de Bin Laden será o factor decisivo é, no mínimo, lançar os dados fora do tempo.

Até lá, muito irá acontecer. E a componente económica, que continua a ter contornos muito pouco previsíveis, deve pesar mais.

Trunfo mais consistente para se identificar uma clara tendência rumo à reeleição de Obama tem a ver com a falta de qualidade política das hipóteses que têm aparecido no campo opositor.

Esqueçam Trump e Sarah
Até há algumas semanas, os conservadores andaram entretidos com dois possíveis candidatos que tinham tudo para agitar os media, mas que seriam a receita quase certa para um rotundo fracasso do Partido Republicano, nas aspirações do GOP de remover Obama da Casa Branca já em 2012: Donald Trump e Sarah Palin.

O multimilionário levou ao limite a sua bizarra cruzada em relação ao local de nascimento do Presidente. De pouco valeu o facto de Obama já ter garantido, na eleição de 2008, que as suspeitas de que não seria born in America eram disparatadas.

Dando uma inusitada força mediática ao estranho movimento dos ‘birthers’ (um grupo que se organizou nos últimos dois anos, com o único intento de tentar provar algo que, simplesmente, não corresponde à realidade), Donald Trump tanto insistiu nessa mentira que levou Obama a mostrar o óbvio: de forma discreta, mas clara, o Presidente divulgou o seu certificado de nascimento, que sem margem para qualquer dúvida refere que Barack nasceu em Honolulu, no Hawai – o 50.º estado dos EUA.

Num daqueles passes de mágica em que Obama é mestre, a disparatada polémica do seu local de nascimento acabou por proporcionar-lhe um momento de clara vantagem sobre Trump, quando, em pleno jantar dos correspondentes da Casa Branca – um dos momentos-chave do ano político na América – o Presidente fez uma piada sobre o facto, mostrando um vídeo que mostrava, em desenhos animados, paisagens africanas: «Este é o meu vídeo de nascimento», lançou Obama, divertido. «E caso a Fox News não tenha percebido, isto era uma piada…»

Barack não se ficou por aqui e, com Donald Trump presente na sala, de ar indisfarçavelmente constrangido, mostrou outra imagem: «Este será o aspecto da Casa Branca, se Donald Trump for eleito». No vídeo aparece uma montagem da casa oficial do Presidente dos EUA, com um letreiro em tons berrantes e um estilo de gosto duvidoso. Foi a gargalhada na plateia – e terá sido o momento da decisão de Donald Trump. Dias depois, o multimilionário anunciou: «Não vou avançar com uma candidatura à Presidência».

Sarah Palin, a outra peça out of the box do campo republicano, ainda não se decidiu – mas os sinais começam a apontar para que também não avance.

A ex-governadora do Alasca, escolhida por John McCain para vice do ticket presidencial republicano em 2008, conseguiu mobilizar as hostes conservadoras até Novembro do ano passado – altura em que o Tea Party deu um empurrão decisivo à vitória dos republicanos nas eleições intercalares para o Congresso.

Mas, nos últimos meses, os dados da equação mudaram muito. A falta de preparação política de Sarah tem vindo ao de cima – e as suas dificuldades em disputar o centro político com Obama estão a ser espelhadas nas sondagens.

Com números desanimadores nas pesquisas, o entusiasmo em redor de Palin está a arrefecer – e pode comprometer as aspirações da hockey mom do Alasca de vir a avançar com uma candidatura presidencial para 2012.

Outro nome forte da ala dura dos republicanos que já garantiu que não vai a jogo é Mike Huckabee. O antigo pastor baptista, ex-governador do Arkansas, surpreendeu tudo e todos ao anunciar, recentemente, que não será candidato – apesar de as sondagens o terem posto, até há poucas semanas, como um dos três nomes mais bem colocados para obter a nomeação republicana.

Mike, que nas primárias republicanas de 2008 obteve fortes vitórias nos estados do Sul, deixa assim em aberto o campo conservador para outros dois candidatos que, tudo indica, irão disputar o eleitorado mais à Direita: Newt Gingrich, 67 anos (antigo speaker do Congresso, líder da Revolução Republicana dos anos 90) e Michelle Bachmann, 56 anos, congressista do Minnesota e candidata preferida dos movimentos ligados ao Tea Party.

Romney, Pawlenty, Christie, Huntsman ou uma surpresa?
Sem Trump, Huckabee e, provavelmente, Palin na jogada – e com Gingrich e Michelle Bachmann já a posicionarem-se como prováveis representantes da ala dura – a corrida republicana começa, digamos, a normalizar-se, depois de mais de um ano marcado por um estranho impasse.

O fenómeno do Tea Party, extremamente mobilizador mas pouco consistente -- e mesmo nada abrangente para quem pretende disputar uma eleição presidencial --, parecia ofuscar os candidatos do Partido Republicano que mais condições poderiam reunir numa disputa presidencial com Barack Obama.

Depois do ruído e do entusiasmo fácil pós-midterms (dois factores que talvez expliquem um certo atraso no arranque da corrida pela nomeação republicana), os principais líderes republicanos começam, agora, a ter o seu espaço.

E as sondagens, finalmente, vão mostrando uma tendência mais ligada ao que poderá acontecer depois do Verão, altura em que as coisas deverão começar a clarificar-se no campo republicano.

Dos candidatos que já anunciaram a intenção de avançar, há dois nomes com claras hipóteses de lutar pela nomeação: Mitt Romney, 64 anos, antigo governador do Massachussets e terceiro classificado nas primárias de 2008, e Tim Pawlenty, 50 anos, ex-governador do Minnesota e que chegou a estar na shortlist de John McCain para a vice-presidência republicana, em 2008.

Embora ainda não tenham confirmado as respectivas candidaturas, apontaria outros dois nomes que julgo que poderem vir a disputar a nomeação: o antigo governador do Utah, e embaixador dos EUA na China até ao passado dia 30 de Abril, Jon Huntsman, 51 anos, e o governador da Nova Jérsia, Chris Christie, 62 anos.

Huntsman poderia ter tudo para ser o candidato ideal contra Obama: é um republicano moderado, com capacidade para penetrar no eleitorado democrata em caso de dificuldades económicas em 2012, e dispõe de bons apoios na máquina republicana, sobretudo entre os governadores de estados.

Mas tem um grande problema: está conotado com a Administração Obama, pelo simples facto de a ter servido até há poucas semanas, como embaixador norte-americano em Pequim.

Não tão moderado, mas claramente enquadrável na zona mais clássica do Partido Republicano, Mitch Daniels poderia ser um candidato forte: é do Indiana, um estado importante em eleições presidenciais, e poderia aproveitar a não candidatura de Haley Barbour para vir a ganhar apoios de peso junto do mainstream republicano. Mas Mitch anunciou, esta semana, que não vai avançar – talvez por força das sondagens que lhe dão números muito escassos.

Já na corrida, mas sem quaisquer hipóteses de nomeação, estão Herman Cain, Gary Johnson, Ron Paul e Rick Santorum.

No meio de algumas certezas e, sobretudo, muitas dúvidas do campo republicano, há um dado que se mantém coerente, na linha de rumo para se perceber a disputa presidencial norte-americana de 2012: Barack Obama continua à frente em todas as sondagens, liderando todos os cenários.

Mas é preciso saber esperar: é que a corrida, oficialmente, ainda nem sequer começou…

terça-feira, 17 de maio de 2011

Observatório 2012 (XIV): Donald Trump, afinal, não avança para a Casa Branca

Agitou, de forma um pouco patética, as hostes republicanas nas últimas semanas, mas depois da apresentação do «birth certificate» de Obama, e sobretudo da forma como o Presidente soube brincar com a situação no jantar dos correspondentes da Casa Branca, com Donald Trump presente na sala, o multimilionário veio deixar a garantia: não vai avançar com uma candidatura.



O campo republicano começa, a pouco e pouco, a ficar clarificado... e normalizado.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Observatório 2012 (XIII): Newt Gingrich vai avançar


Dado importante para percebermos como irá evoluir a dinâmica da corrida à nomeação republicana: Newt Gingrich, 67 anos, herói «Revolução Conservadora» de 1994, vai mesmo avançar com uma candidatura presidencial para 2012.

A formalização deverá acontecer esta quarta-feira. Do lado republicano, as coisas continuam ainda muito baralhadas
. Quem faz mais barulho (Donald Trump, Sarah Palin, Michelle Bachmann) não deverá ter grandes hipóteses na hora da verdade.

Enquanto isso, os nomes mais credíveis (Tim Pawlenty, Mitt Romney, Mitch Daniels, Jon Huntsman) aguardam por uma fase posterior para lançarem os seus trunfos.

Com a entrada de Gingrich neste jogo, o campo mais conservador parece ter já um peso pesado na corrida. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.


«Former House Speaker Newt Gingrich is set to announce the official launch of his presidential campaign on Wednesday, according to spokesman Rick Tyler.

Gingrich will make his announcement via Twitter and Facebook in another indicator of how vital social media platforms will be in the 2012 campaign. Former Massachusetts Gov. Mitt Romney and former Minnesota Gov. Tim Pawlenty -- two of the more prominent candidates for the GOP nomination -- both launched their White House exploratory committees through online videos that their campaigns-in-waiting promoted heavily on Twitter and Facebook.

The former Georgia congressman is slated to speak at the National Hispanic Prayer Breakfast in Washington, D.C., on Wednesday morning before sitting down with Fox News' Sean Hannity that night for his first interview as an official candidate.

Gingrich will travel to Georgia on Friday, according to Tyler, where he will attend the state Republican Party Convention in Macon. The former speaker, who has spent over a decade living in Northern Virginia, is making an overt effort to highlight his ties to Georgia and will base his presidential campaign in the Southern state.

As he begins his campaign in earnest, Gingrich enjoys a reputation as a prolific generator of ideas with proven fundraising abilities and a robust political organization. His high name recognition has helped him perform relatively well in early national polls, but his tumultuous personal life and penchant for generating controversy are two traits he will have to work to overcome to prove himself a viable candidate for the GOP nomination.»

in RealClearPolitics.com

domingo, 8 de maio de 2011

Taxa de Aprovação de Obama sobe após a morte de Bin Laden


Estes valores da sondagem Washington Post/Pew Research Center mostram os números mais positivos para o Presidente dos últimos dois anos.

O efeito era previsível, depois da «Operação Geronimo». Falta saber quanto tempo irá durar...

BARACK OBAMA
Aprovação: 56 por cento

Reprovação: 38 por cento

terça-feira, 3 de maio de 2011

Obama, sempre Obama: realismo e sobriedade na hora da vitória


«Os EUA não estão em guerra contra o Islão e nunca estarão em guerra contra o Islão. O fim de Bin Laden deve ser saudado por todos aqueles que acreditam na paz e na dignidade»

Barack Obama, Presidente dos EUA, no discurso de anúncio da morte de Bin Laden

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Histórias da Casa Branca: O dia da morte de Osama Bin Laden


Barack Obama anunciou, em Washington, a morte de Osama Bin Laden, na sequência de uma operação muito bem sucedida, que durou meses, ordenada pelo Presidente, dirigida pela CIA e executada por forças especiais norte-americanas



O dia da morte
de Osama Bin Laden

Por Germano Almeida


Foi preciso esperar quase uma década, mas o inimigo público número um que a América apontou a 11 de Setembro de 2001 foi mesmo apanhado e morto.

Naquele dia maldito, que incrivelmente já aconteceu há quase uma década, o então Presidente George W. Bush prometera capturar o novo satanás, nem que fosse à moda do Velho Oeste: ‘Dead or Alive’.

Os norte-americanos puseram-lhe a cabeça a prémio e até fixaram um preço para a captura de Bin Laden: 25 milhões de dólares.

Dez anos depois, com duas aventuras militares americanas pelo meio (o desastre do Iraque e a ambiguidade do Afeganistão), o sucessor de Bush na Casa Branca tem um nome estranhamente parecido com o inimigo agora assassinado.

Parecia estar escrito nas estrelas: coube mesmo a Obama, ele próprio um produto do pós-ameaça Bin Laden, pela antítese que representa ao terror lançado por Osama, a tarefa de anunciar «à América e ao Mundo» a captura e morte do rosto do terror lançado sobre os EUA a 11 de Setembro de 2001 – e, a partir desse dia, sobre vários pontos do globo, nos anos que se seguiriam.

Foi o culminar de uma operação quase perfeita: numa enorme vitória para a Administração Obama (e sobretudo para a forma como Barack entendeu conduzir a sua interpretação do que deve ser um «commander in chief»), Osama Bin Laden, 54 anos, filho de um emigrante iemenita que se transformou num dos homens mais ricos da Arábia Saudita, fundador e líder da Al Qaeda, principal mentor do maior atentado terrorista perpetrado em solo norte-americano, morreu na madrugada de 1 para 2 de Maio, na casa onde tinha o seu esconderijo em Abbottabad, a 60 quilómetros de Islamabade, capital do Paquistão, após uma operação especial autorizada pela Administração Obama, dirigida pela CIA e executada por elementos da Navy Seal e da Joint Special Operations Command.

Foi uma missão preparada ao detalhe e que terá começado em Agosto, num cruzamento de serviços de informação, decisão estratégica e execução no terreno de tropas especiais. Os últimos anos pareciam ter mostrado uma certa perda de eficácia americana neste tabuleiro – e, também por isso, este desfecho extraordinariamente bem sucedido constitui uma das maiores vitórias de Barack Obama desde que assumiu o cargo de Presidente dos EUA.


Apanhar Bin Laden, quase uma década depois do 11 de Setembro, era ainda uma questão de honra para os norte-americanos

«Este foi um bom dia para a América», anunciou Obama. «O Mundo tornou-se um lugar melhor depois da morte de Osama Bin Laden», prosseguiu o Presidente, num registo bem ao estilo da retórica clássica dos EUA nestas ocasiões.

«Há quase dez anos, sofremos o pior ataque da nossa história. Um dia que nunca sairá da nossa memória. Hoje, às famílias que perderam alguém na guerra contra o terror podemos dizer que a justiça foi feita. O nosso país manteve o empenho e a justiça foi feita. Hoje lembramo-nos, como nação, que não há nada que não possamos fazer quando nos recordamos do sentimento de unidade que nos define», sentenciou Obama.

A morte e o seu simbolismo
Nem vale a pena argumentar muito sobre a mais que evidente perda de influência operacional de Bin Laden nos últimos anos. Desde 2005/2006, no pós-atentados de Londres (Julho 2005), que a Al Qaeda já tinha deixado de ser uma estrutura global e centralizada – e passou a ser algo próximo de um mito pouco consistente, pulverizado em micro-organizações de terrorismo franchisado em zonas como o Magrebe, Médio Oriente e, sobretudo, nos países muçulmanos da Ásia.

E também de pouco valerá, num dia histórico como este, com tamanha carga simbólica para todos os que condenam o terrorismo e, em especial, para os norte-americanos, recordar que os recentes movimentos sociais e políticos no mundo árabe (que, nos últimos meses, já redundaram nas quedas das ditaduras de Ben Ali, na Tunísia, e Mubarak, no Egipto, e ainda na eclosão da guerra na Líbia e fortes convulsões sociais na Síria, no Iémen e no Bahrein), deixavam antever uma certa perda de ascendente por parte da Al Qaeda em relação à «agenda de contestação» daquela que foi uma importante base de apoio da organização terrorista, nos primeiros anos do século XXI.


A morte de Bin Laden gerou uma onda de euforia em cidades como Nova Iorque e Washington

Para os americanos, esta era uma espinha atravessada na garganta. Uma questão de orgulho que havia que resolver. As reacções de euforia que se verificaram em cidades como Nova Iorque ou Washington são a maior prova de como a morte de Bin Laden era uma missão que faltava cumprir no espírito americano. E até aconteceram reacções quase da esfera do milagre político, como as felicitações dadas ao Presidente Obama por... Dick Cheney!

E depois da euforia?
Festejar uma morte tem um certo tom macabro num mundo supostamente racional. Mas foi isso que acabou de acontecer, nas mais variadas capitais «civilizadas» -- de Washington a Paris, de Londres a Madrid, de Lisboa a Nova Iorque (ONU).

Passada a euforia, que por certo durará pouco neste Mundo de ‘headlines’ instantâneos, há que analisar o que pode mudar na luta contra o terrorismo.

Estranhamente, deve mudar pouco.

Bem recentemente, Obama tomou decisões importantes em postos chave na Defesa e Segurança Nacional -- e que apontam para a continuidade na linha de «realismo» que tem dominado a sua política externa: Leon Panetta, experimentadíssimo, transita da CIA para o Pentágono, rendendo Robert Gates (único sobrevivente dos anos Bush para a era Obama em cargos de topo) no posto de secretário da Defesa.

David Petraeus, o mais respeitado general do exército americano, o homem da ‘surge’ bem sucedida que permitiu o início da retirada do Iraque, será o novo homem forte da CIA, deixando os comandos militares do Iraque e Afeganistão ao seu sucessor, o general John Allen.

Quando assumir funções em Langley, Petraeus reforçará a ideia de que a rota de Obama para os postos de Defesa e Segurança Nacional passa pela redução de efectivos no terreno e pela aposta nos neurónios e nos serviços secretos. Sem estes dois ingredientes, acreditem, não se teria feito História algures em Abbottabad, numa mansão que escondia o homem mais procurado do Mundo.

O importante era apanhar «o cérebro do terror» – e Barack, na campanha presidencial de 2008, já tinha delimitado o alvo: se fosse necessário, os EUA iriam «matar Osama Bin Laden».

Há máximas que nem um Presidente tão original como Obama consegue mudar. E o orgulho americano vê-se em operações especiais como esta.