ENTREVISTA COM BILL SCHNEIDER, PUBLICADA NO SITE TVI24 A 15 DE ABRIL DE 2015:
Bill Schneider, 70 anos, «senior fellow» da Third Way, importante «think tank» de Washington, professor de Public and International Affairs na George Mason University, é considerado pelos seus pares o «Aristóteles da análise política na América».
Conhecido comentador da CNN (foi analista político sénior do canal de Atlanta entre 1990 e 2009, está agora na CNN Internacional), é também analista na Al Jazeera English, no Politico.com e na Reuters.com.
O Washington Times elegeu-o o «maior especialista americano em eleições». Fez parte da equipa de Política da CNN que venceu um Emmy pela cobertura das «midterms» de 2006 e um Peabody pela cobertura das eleições de 2008. Tem outros prémios na área jornalística e académica e alguns livros publicados.
Em dezembro de 2012, logo a seguir à reeleição de Obama, Bill Schneider concedeu uma entrevista ao site TVI24 em que defendia: «O sistema americano só funciona com grandes crises».
Na entrevista que se segue, Schneider antecipa a corrida presidencial de 2016, aponta Hillary Clinton como favorita à sucessão de Barack Obama e identifica Jeb Bush como mais bem colocado para obter a nomeação republicana.
Marco Rubio, Scott Walker e os anos Obama são outros temas analisados por um dos mais prestigiados analistas políticos dos EUA.
Como comenta a forma como Hillary Clinton avançou? Foi o momento certo?
Sim, acredito que foi. Os democratas estavam a começar a ficar ansiosos com o facto dos republicanos começarem a ter a atenção mediática.
O vídeo «Getting started» teve o efeito desejado? Vai marcar uma mudança na comunicação política dos EUA?
Não foi um anúncio em grande estilo, com grande aparato, tipo «shock and awe». Foi pessoal e «friendly». E não foi, de modo algum, sobre a candidata. Ela já é suficientemente conhecida. A intenção do video foi mostrar a sensibilidade de Hillary. A sua ligação ao mundo real. Um anúncio assim poderia não resultar com candidatos menos conhecidos.
Hillary sobreviveu ao «mailgate», escândalo sobre a utilização de email pessoal em troca de correspondência ao serviço do Departamento de Estado?
Até agora tem sobrevivido, mas as pessoas estão consternadas com o seu comportamento em relação a esse tema. O caso reforça a crítica de que ela é demasiado opaca, secreta
.
Além do «mailgate», que outros problemas poderá vir a ter Hillary na sua candidatura?
Os adversários dela estão a chamá-la de candidata do passado. Mas a primeira mulher Presidente não parece uma noção do passado. Depois, ela é uma figura divisiva. E tem que convencer os votantes de que poderá construir consensos.
Leia ainda nesta entrevista:
«Se as eleições fossem hoje, Hillary Clinton ganharia»
«Jeb Bush é o mais provável nomeado republicano»
«Hillary pode juntar diversidade e inclusão à herança Obama»
O avanço de Hillary nas primárias democratas é irreversível?
Nada em política é irreversível. Mas ela está numa posição mais forte para obter a nomeação do que qualquer não-incumbente (nota: candidato que não seja presidente em funções) de que há memória.
Quem poderá desafiar esse favoritismo no lado democrata?
A esquerda adoraria desafiá-la. Mas, neste momento pelo menos, não há «challenger» credível para enfrentar Hillary pela esquerda.
Se as eleições fossem hoje, quem seria eleito Presidente?
Hillary Clinton.
Leia ainda nesta entrevista:
«Se as eleições fossem hoje, Hillary Clinton ganharia»
«Jeb Bush é o mais provável nomeado republicano»
«Hillary pode juntar diversidade e inclusão à herança Obama»
Marco Rubio pode ser a mudança geracional de que os republicanos necessitam?
Os democratas é que precisam verdadeiramente de fazer essa mudança geracional. Rubio é um candidato de uma nova geração e um «campaigner» atrativo. Mas acredito que a sua vez virá no futuro. Talvez não seja para já.
É possível juntar conservadorismo com minoria hispânica, como Rubio pretende fazer?
A maioria dos hispânicos é democrata. Rubio poderia obter ganhos junto dos hispânicos mas não os conseguiria converter ao «conservadorismo».
Jeb Bush é o mais provável nomeado republicano?
É. Não é ainda o nomeado confirmado, mas é o mais provável neste momento.
Leia ainda nesta entrevista:
«Se as eleições fossem hoje, Hillary Clinton ganharia»
«Jeb Bush é o mais provável nomeado republicano»
«Hillary pode juntar diversidade e inclusão à herança Obama»
Scott Walker pode desafiar Bush?
Pode. Walker será, provavelmente, o «challenger» de Bush pela direita.
Quem poderá aproveitar o não avanço de Mitt Romney?
Jeb Bush, porque ambos são «favoritos» do «establishment» republicano. Sem Romney, Bush pode assim ficar como único candidato desse «establishment».
Que temas poderão decidir a eleição presidencial de 2016? Imigração, Saúde, Economia, impostos, Estado Islâmico e Irão?
É impossível de prever. O mais provável talvez seja a política externa – Irão e ISIS (Estado Islâmico).
Leia ainda nesta entrevista:
«Se as eleições fossem hoje, Hillary Clinton ganharia»
«Jeb Bush é o mais provável nomeado republicano»
«Hillary pode juntar diversidade e inclusão à herança Obama»
Hillary poderá tentar aproveitar a herança de Obama? E em que áreas?
Recuperação económica, reforma da saúde, alterações climáticas. A isso juntará o seu registo em «diversidade» e «inclusão».
TEXTO PUBLICADO A 11 DE ABRIL DE 2015, NO SITE TVI24.IOL.PT:
A super favorita à nomeação democrata avança este domingo. Parte com vantagem nunca vista nesta fase. Mas não é a candidata perfeita: tem fantasmas no passado e sombras para o futuro
Por:
Hillary Clinton avança amanhã, domingo, possivelmente
pelo twitter, para uma segunda candidatura à presidência dos Estados
Unidos da América.
Depois de dois anos e meio de rumores, sinais e fortes tendências (basicamente, desde a reeleição de Obama que se aponta a probabilidade de Hillary Clinton vir a ser candidata às primárias democratas, tornando-se, de imediato, a principal favorita à nomeação), a ex-secretária de Estado fez saber, por via de dois assessores, que escolheu o dia 12 de abril (talvez para se antecipar a Marco Rubio, senador republicano da Florida, que se apresenta na segunda) para tornar oficial o que, na prática, já quase todos sabiam.
Em 2008, Hillary falhou, por muito pouco, o comboio da História. Esteve pertíssimo de se tornar a primeira mulher a obter nomeação presidencial dum grande partido do sistema.
Fez quase tudo por isso: partiu muito à frente, fez campanha dura e exigente, somou 18 milhões de votos no total das primárias democratas. Só não conseguiu travar definitivamente o maior e mais bem organizado movimento social em torno de um candidato político alguma vez visto: Barack Obama 08’.
Mesmo assim, talvez já pensando em segunda tentativa presidencial, aceitou fazer parte do governo do rival que a derrotara («Team of Rivals») e foi, no State Department, uma chefe da diplomacia que se integrou quase em pleno na estratégia do primeiro mandato de Obama (as «nuances» de posições entre os dois, sobretudo sobre a Síria e Israel, só viriam depois de Hillary sair).
No final do seu mandato no Departamento de Estado, teve no episódio de Bengazhi (atentado que vitimou o então embaixador americano na Líbia) a maior mancha em percurso político, cívico e público de mais de quatro décadas.
Foi mulher de governador de estado, Primeira Dama dos EUA, senadora por Nova Iorque, segunda classificada nas primárias democratas de 2008 e secretária de Estado.
Formada em Wellesley, em Ciências Políticas, e em Yale, em Direito, foi sempre aluna exemplar e mereceu a distinção, muito importante no imaginário académico norte-americano, de fazer o «commencement speach» em Wellesley.
De jovem republicana a democrata de referência
Nascida a 26 de outubro de 1947 no Edgewater Hospital, em Chicago, Illinois, filha de Dorothy Howell, dona de casa, e Hugh Rodham, pequeno empresário da área têxtil, Hillary Diane Rodham terá dois irmãos mais novos: Hugh e Tony.
Longe de saber, é claro, que viria a tornar-se a primeira mulher de Presidente dos EUA nascida após a II Guerra Mundial e terceira mulher a chefiar a diplomacia norte-americana.
Cresceu em ambiente republicano, por influência do pai. Hillary escreve no seu primeiro livro de memórias, «Living History»: «Não nasci democrata».
Depois de infância tranquila, em família conservadora, desde cedo se destaca como aluna aplicada e brilhante na Maine East High School, quase sempre no quadro de honra. Gostava também de desporto, especialmente natação e beisebol. Nas férias escolares, costumava fazer «babysitting» com filhos de mexicanos que trabalhavam na zona de Chicago.
Aos 13 anos, escreveu carta à NASA, mostrando interesse em coloborar para a agência espacial americana e recebeu como resposta: «We don’t take girls» (Não aceitamos raparigas).
O seu primeiro grande envolvimento na política, ainda do lado republicano, foi com a campanha pelo candidato republicano Barry Goldwater, por influência do professor de história do nono ano, também ele ativo republicano, que a levou à leitura da obra de Goldwater, «Conscience of a Conservative» (Consciência de um Conservador), livro que inspirou Hillary para a escrita de ensaio sobre o movimento conservador americano, tornando-se numa «Goldwater Girl».
A viragem de republicana a democrata não foi imediata: teve a ver com uma consciência progressiva que foi ganhando, relacionada com uma leitura sobre como cada partido olhava para os direitos civis.
Em 1968, ainda vai à Convenção Republicana de Miami, Florida, que viria a confirmar a nomeação presidencial de Richard Nixon, envolvida na campanha do então governador de Nova Iorque, Nelson Rockefeller (que foi o segundo mais votado, atrás de Nixon e à frente de Ronald Reagan e tinha George Romney, pai de Mitt Romney, como candidato a vice-presidente).
O Arkansas, a Casa Branca, o Senado e o Departamento de Estado
Em 1975, já democrata, casa-se com Bill Clinton. Cinco anos depois, em 1980, terá a sua única filha, Chelsea.
O casamento com Bill é registo decisivo para perceber a evolução da vida pública e política de Hillary: foi mulher de um dos mais jovens governadores de estado e também um dos mais jovens presidentes da história da América.
Mas desde cedo Hillary marcou território: nunca quis «ficar em casa a fazer bolinhos» (a expressão é dela) e assumiu temas como os direitos das mulheres, das crianças, dos trabalhadores e dos utilizadores dos cuidados de saúde como combates de uma vida (no plano político e na atividade profissional, como advogada).
Os anos 80 e inícios de 90 foram passados no Arkansas; o resto da década de 90 na Casa Branca, na sua «Hillarylândia», com agenda e funcionários independentes do marido-Presidente; a primeira década dos anos 2000 no Senado e a tentar obter a nomeação democrata. Os anos mais recentes na Administração Obama e, é claro, a preparar a segunda investida à Casa Branca.
Um currículo potencialmente imbatível
Resiliente, determinada, ultrapassou a derrota inesperada nas primárias democratas de 2008 com inteligência, sendo capaz, em poucas semanas, de se tornar em forte apoiante de Obama, o que lhe valeu lugar de relevo como secretária de Estado.
Já com a campanha presidencial de 2016 no horizonte, anunciou atempadamente que não estaria disponível para segundo mandato no Departamento de Estado.
Sem a capacidade retórica de Barack Obama ou Bill Clinton, tem, no entanto, um tipo de discurso articulado e sempre bem fundamentado, capaz de gerar credibilidade mesmo junto dos seus opositores.
As sondagens até agora mostram que é fortíssima em segmentos como as mulheres, os negros e os latinos. Não tão forte nos jovens (com quem Obama foi campeão em 2008 e 2012).
A vantagem com que parte para a nomeação democrata (entre 40 a 55 pontos) torna-a vencedora antecipada, a menos que algo de inesperado aconteça.
Para a eleição geral, a história é diferente. Pode ter problemas na Florida, se o adversário for Jeb Bush ou Marco Rubio; no Midwest, se for Scott Walker; e no Sul, se a escolha dos republicanos recair num nome mais à direita, como Rand Paul (não é provável, mas não é impossível).
Não é uma candidata perfeita (o recente escândalo dos mails voltou a lembrar-nos disso). Tem um passado com alguns fantasmas (Bengazhi e Monica Lewinsky são outros) e algumas sombras no futuro (a idade avançada para quem concorre a primeiro mandato é uma delas, os problemas de saúde, com dois desmaios em pleno desempenho de funções, na parte final do mandato como secretária de Estado, é outro).
Mas o currículo pessoal e político de Hillary Rodham Clinton torna-a numa candidata potencialmente imbatível.
Aguentará 20 meses de gestão de favoritismo aparentemente tão claro?
Outros textos sobre Hillary Clinton já escritos em «Histórias da Casa Branca»:
Hillary no centro da tempestade
Hillary aguenta o embate
Hillary Clinton marca território
Hillary Clinton a adiar o inevitável
A «campanha sombra» de Hillary Clinton
Quase só trunfos para Hillary
Nos 67 anos de Hillary Rodham Clinton
A visão de Hillary
Hillary, trunfos e fantasmas
Depois de dois anos e meio de rumores, sinais e fortes tendências (basicamente, desde a reeleição de Obama que se aponta a probabilidade de Hillary Clinton vir a ser candidata às primárias democratas, tornando-se, de imediato, a principal favorita à nomeação), a ex-secretária de Estado fez saber, por via de dois assessores, que escolheu o dia 12 de abril (talvez para se antecipar a Marco Rubio, senador republicano da Florida, que se apresenta na segunda) para tornar oficial o que, na prática, já quase todos sabiam.
Em 2008, Hillary falhou, por muito pouco, o comboio da História. Esteve pertíssimo de se tornar a primeira mulher a obter nomeação presidencial dum grande partido do sistema.
Fez quase tudo por isso: partiu muito à frente, fez campanha dura e exigente, somou 18 milhões de votos no total das primárias democratas. Só não conseguiu travar definitivamente o maior e mais bem organizado movimento social em torno de um candidato político alguma vez visto: Barack Obama 08’.
Mesmo assim, talvez já pensando em segunda tentativa presidencial, aceitou fazer parte do governo do rival que a derrotara («Team of Rivals») e foi, no State Department, uma chefe da diplomacia que se integrou quase em pleno na estratégia do primeiro mandato de Obama (as «nuances» de posições entre os dois, sobretudo sobre a Síria e Israel, só viriam depois de Hillary sair).
No final do seu mandato no Departamento de Estado, teve no episódio de Bengazhi (atentado que vitimou o então embaixador americano na Líbia) a maior mancha em percurso político, cívico e público de mais de quatro décadas.
Foi mulher de governador de estado, Primeira Dama dos EUA, senadora por Nova Iorque, segunda classificada nas primárias democratas de 2008 e secretária de Estado.
Formada em Wellesley, em Ciências Políticas, e em Yale, em Direito, foi sempre aluna exemplar e mereceu a distinção, muito importante no imaginário académico norte-americano, de fazer o «commencement speach» em Wellesley.
De jovem republicana a democrata de referência
Nascida a 26 de outubro de 1947 no Edgewater Hospital, em Chicago, Illinois, filha de Dorothy Howell, dona de casa, e Hugh Rodham, pequeno empresário da área têxtil, Hillary Diane Rodham terá dois irmãos mais novos: Hugh e Tony.
Longe de saber, é claro, que viria a tornar-se a primeira mulher de Presidente dos EUA nascida após a II Guerra Mundial e terceira mulher a chefiar a diplomacia norte-americana.
Cresceu em ambiente republicano, por influência do pai. Hillary escreve no seu primeiro livro de memórias, «Living History»: «Não nasci democrata».
Depois de infância tranquila, em família conservadora, desde cedo se destaca como aluna aplicada e brilhante na Maine East High School, quase sempre no quadro de honra. Gostava também de desporto, especialmente natação e beisebol. Nas férias escolares, costumava fazer «babysitting» com filhos de mexicanos que trabalhavam na zona de Chicago.
Aos 13 anos, escreveu carta à NASA, mostrando interesse em coloborar para a agência espacial americana e recebeu como resposta: «We don’t take girls» (Não aceitamos raparigas).
O seu primeiro grande envolvimento na política, ainda do lado republicano, foi com a campanha pelo candidato republicano Barry Goldwater, por influência do professor de história do nono ano, também ele ativo republicano, que a levou à leitura da obra de Goldwater, «Conscience of a Conservative» (Consciência de um Conservador), livro que inspirou Hillary para a escrita de ensaio sobre o movimento conservador americano, tornando-se numa «Goldwater Girl».
A viragem de republicana a democrata não foi imediata: teve a ver com uma consciência progressiva que foi ganhando, relacionada com uma leitura sobre como cada partido olhava para os direitos civis.
Em 1968, ainda vai à Convenção Republicana de Miami, Florida, que viria a confirmar a nomeação presidencial de Richard Nixon, envolvida na campanha do então governador de Nova Iorque, Nelson Rockefeller (que foi o segundo mais votado, atrás de Nixon e à frente de Ronald Reagan e tinha George Romney, pai de Mitt Romney, como candidato a vice-presidente).
O Arkansas, a Casa Branca, o Senado e o Departamento de Estado
Em 1975, já democrata, casa-se com Bill Clinton. Cinco anos depois, em 1980, terá a sua única filha, Chelsea.
O casamento com Bill é registo decisivo para perceber a evolução da vida pública e política de Hillary: foi mulher de um dos mais jovens governadores de estado e também um dos mais jovens presidentes da história da América.
Mas desde cedo Hillary marcou território: nunca quis «ficar em casa a fazer bolinhos» (a expressão é dela) e assumiu temas como os direitos das mulheres, das crianças, dos trabalhadores e dos utilizadores dos cuidados de saúde como combates de uma vida (no plano político e na atividade profissional, como advogada).
Os anos 80 e inícios de 90 foram passados no Arkansas; o resto da década de 90 na Casa Branca, na sua «Hillarylândia», com agenda e funcionários independentes do marido-Presidente; a primeira década dos anos 2000 no Senado e a tentar obter a nomeação democrata. Os anos mais recentes na Administração Obama e, é claro, a preparar a segunda investida à Casa Branca.
Um currículo potencialmente imbatível
Resiliente, determinada, ultrapassou a derrota inesperada nas primárias democratas de 2008 com inteligência, sendo capaz, em poucas semanas, de se tornar em forte apoiante de Obama, o que lhe valeu lugar de relevo como secretária de Estado.
Já com a campanha presidencial de 2016 no horizonte, anunciou atempadamente que não estaria disponível para segundo mandato no Departamento de Estado.
Sem a capacidade retórica de Barack Obama ou Bill Clinton, tem, no entanto, um tipo de discurso articulado e sempre bem fundamentado, capaz de gerar credibilidade mesmo junto dos seus opositores.
As sondagens até agora mostram que é fortíssima em segmentos como as mulheres, os negros e os latinos. Não tão forte nos jovens (com quem Obama foi campeão em 2008 e 2012).
A vantagem com que parte para a nomeação democrata (entre 40 a 55 pontos) torna-a vencedora antecipada, a menos que algo de inesperado aconteça.
Para a eleição geral, a história é diferente. Pode ter problemas na Florida, se o adversário for Jeb Bush ou Marco Rubio; no Midwest, se for Scott Walker; e no Sul, se a escolha dos republicanos recair num nome mais à direita, como Rand Paul (não é provável, mas não é impossível).
Não é uma candidata perfeita (o recente escândalo dos mails voltou a lembrar-nos disso). Tem um passado com alguns fantasmas (Bengazhi e Monica Lewinsky são outros) e algumas sombras no futuro (a idade avançada para quem concorre a primeiro mandato é uma delas, os problemas de saúde, com dois desmaios em pleno desempenho de funções, na parte final do mandato como secretária de Estado, é outro).
Mas o currículo pessoal e político de Hillary Rodham Clinton torna-a numa candidata potencialmente imbatível.
Aguentará 20 meses de gestão de favoritismo aparentemente tão claro?
Outros textos sobre Hillary Clinton já escritos em «Histórias da Casa Branca»:
Hillary no centro da tempestade
Hillary aguenta o embate
Hillary Clinton marca território
Hillary Clinton a adiar o inevitável
A «campanha sombra» de Hillary Clinton
Quase só trunfos para Hillary
Nos 67 anos de Hillary Rodham Clinton
A visão de Hillary
Hillary, trunfos e fantasmas

